As ossadas dos integrantes do grupo Mamonas Assassinas serão exumadas nesta segunda-feira (23), quase três décadas após o acidente aéreo que matou os cinco músicos no auge do sucesso, em 1996. A iniciativa integra um projeto de memorial ecológico que será implantado no Cemitério Primaveras, em Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo.
Segundo comunicado da família, o material ósseo será cremado e as cinzas utilizadas no plantio de árvores que formarão o Jardim BioParque Memorial Mamonas. O espaço será aberto à visitação gratuita dos fãs e pretende unir memória, natureza e contemplação.A proposta é transformar o local de sepultamento em um parque memorial permanente, oferecendo um novo conceito de homenagem póstuma.
A exumação é o procedimento legal de retirada do material ósseo após determinado período de sepultamento. Após a remoção, o conteúdo é destinado à cremação ou ao ossuário, conforme decisão da família.
Materiais remanescentes, como fragmentos de caixão, tecidos ou ornamentos, passam por descarte adequado e incineração conforme normas sanitárias.
Após a cremação, as cinzas serão depositadas junto a sementes de árvores dentro de uma urna ecológica biodegradável, conhecida como “bag”. O conjunto é plantado no solo, iniciando o processo de germinação.
Inicialmente, a semente permanece em incubação, sob controle de umidade e irrigação, para garantir melhores condições de desenvolvimento. Caso não haja germinação, a família pode optar por novo plantio ou substituição da semente.
Quando a muda atinge estágio adequado, ela é transferida para o espaço definitivo do parque, onde seguirá sob monitoramento de especialistas, como biólogos e engenheiros agrônomos.
Cada árvore representará um integrante da banda, e o memorial poderá contar com placas identificativas e intervenções arquitetônicas aprovadas pela administração do cemitério.
De acordo com os familiares, o objetivo vai além da preservação da memória dos músicos. A iniciativa busca promover um espaço simbólico que represente continuidade e transformação, permitindo que a história do grupo permaneça viva de forma integrada à natureza.
As cinzas, por serem compostas por matéria inorgânica, não possuem prazo determinado para destinação. No entanto, o plantio já está previsto como parte do projeto do parque memorial.
O grupo, formado por Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli, marcou a música brasileira com humor irreverente e sucesso meteórico. Quase 30 anos após a tragédia, a homenagem pretende ressignificar o luto e consolidar um espaço permanente de memória para fãs de diferentes gerações.