O candidato ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), enfrentou uma onda de reprovação de sua própria base após usar a gramática inclusiva em suas plataformas digitais. Na rede social X, o congressista recorreu às expressões “todes, todys e todxs”, fundamentando a escolha na tese de que, para triunfar no pleito, é interessante angariar o apoio de todos os votantes.
A manobra linguística disparou gatilhos na militância de direita, que tradicionalmente vincula tais termos a movimentos identitários e partidos de oposição. Nos comentários, a hostilidade foi evidente: eleitores mais radicais ironizaram que o parlamentar deveria “se filiasse ao PSOL” e rotularam o conteúdo da postagem como “desesperadora”.
Apesar do desgaste com os internautas, o núcleo político do senador agiu rapidamente para conter a crise. Rogério Marinho minimizou o atrito, pregando foco no adversário comum. “Todos podem e devem criticar e ter posições diferentes, mas vamos estar unidos para derrotar o PT”, pontuou.
No mesmo tom, figuras como Maurício Marcon apoiaram a tática de expansão. Para ele, a meta é conquistar o eleitorado moderado, uma vez que “o voto da direita ele já tem”.
O cenário sugere que o episódio não foi um deslize, mas um movimento deliberado de distanciamento do estilo combativo de Jair Bolsonaro. Desde o início de sua jornada presidencial, Flávio busca esculpir uma imagem menos polarizadora que a de seu pai, acreditando que a chave para vencer Luiz Inácio Lula da Silva reside na moderação.