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Ator que marcou novela de grande sucesso critica espaço de influenciadores na TV e expõe realidade fora das telas
Em entrevista exclusiva para o portal Bacci Notícias João Gago questiona critérios técnicos na TV e revela que trabalha como motorista de aplicativo para complementar renda
25/02/2026 13h36 Atualizada há 6 meses
Por: Natália Raquel

Conhecido pelo personagem Valdo em Avenida Brasil, em entrevista exclusiva para o portal Bacci Notícias o ator João Gago fez críticas ao atual modelo de escalação das novelas brasileiras. Para ele, o mercado tem priorizado influenciadores digitais em detrimento de atores com formação teatral.

Na avaliação do artista, o número de seguidores nas redes sociais passou a pesar mais do que experiência de palco ou domínio técnico. Ele afirma que a atuação exige preparo, estudo e vivência cênica, competências que, segundo sua análise, nem sempre são consideradas na escolha de elenco.

O ator observa que o fenômeno ganhou força nos últimos anos. Primeiro vieram participantes de reality shows. Agora, influenciadores digitais ocupam papéis em novelas, séries e produções de streaming.

Para ele, a estratégia pode ampliar alcance de público, mas compromete o rigor técnico das produções. A substituição de atores formados por nomes com apelo digital, afirma, altera o padrão de qualidade da dramaturgia.

Realidade financeira

Apesar de ter participado de um dos maiores sucessos da televisão, João Gago diz que a estabilidade financeira não acompanha a visibilidade. Ele relata que precisa manter outras atividades para sustentar a carreira.

Quando não está gravando, trabalha como motorista de aplicativo. Já teve negócio próprio e atuou em outras frentes para complementar renda. Segundo ele, essa realidade é comum entre profissionais da área.

O ator também critica os valores pagos por reprises. De acordo com seu relato, a remuneração por reapresentações é baixa e não condiz com o sucesso das obras.

Mercado em debate

A presença de influenciadores nas novelas divide o setor audiovisual. De um lado, produtoras e emissoras defendem que nomes com grande alcance digital ampliam a divulgação orgânica das produções e ajudam a atrair público jovem. A estratégia reduz custos de marketing e fortalece a presença das obras nas redes sociais.

De outro, parte da classe artística vê a tendência com preocupação. Para esses profissionais, a prioridade ao engajamento virtual pode enfraquecer critérios técnicos consolidados na dramaturgia.

João Gago afirma que o debate não é sobre preconceito com influenciadores, mas sobre formação e preparo. “Não é pessoal. Cada um tem seu espaço. Mas novela exige técnica, exige vivência. Não é só decorar texto e ter seguidor”, declarou.

O ator sustenta que a televisão precisa equilibrar alcance digital e qualidade artística. “Se a escolha for só por número de seguidores, o risco é transformar a dramaturgia em produto de algoritmo. Atuar é ofício, é construção de personagem”, afirmou.

Segundo ele, há espaço para todos, desde que o critério seja claro. “Quem quer atuar precisa estudar, fazer teatro, entender cena. Não dá para pular etapas”, disse.

O tema ganhou força nos bastidores da indústria nos últimos anos, especialmente com o avanço das plataformas de streaming e a busca por novos públicos. Ainda assim, a discussão permanece aberta.