Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, reafirmou o acordo que visa levar o Partido dos Trabalhadores (PT) a uma cadeira no Tribunal de Contas da União (TCU). Em uma entrevista ao Metrópoles, nesta quinta-feira (26), o congressita confirmou que o compromisso firmado para viabilizar sua eleição à presidência da Casa, em 2025, segue de pé.
O ponto central do acordo é a sustentação do nome de Odair Cunha (PT-MG) para a Corte de Contas. Motta foi enfático ao declarar:
“É sabido por todos que durante a construção do nosso processo de eleição, nós fizemos um acordo com o Partido dos Trabalhadores em torno do nome do deputado Odair Cunha. Toda Câmara sabe disso, a imprensa noticiou e eu reafirmo esse compromisso com o deputado Odair, que é um deputado equilibrado”.
Para dissipar resistências em alas mais conservadoras, o presidente da Câmara buscou desvincular a imagem do parlamentar mineiro de pautas radicais. Segundo ele, o político possui uma postura que transcende legendas e apresenta um histórico de retidão.
“É um deputado que mesmo sendo do PT não tem aquele viés ideológico de extrema esquerda. O deputado Odair sempre do diálogo, sempre ajudou muito o governo em momentos de discussão mais abrangente…Nós temos no Odair uma pessoa que está acima desse viés partidário e sim uma pessoa que está pronta para defender os interesses da Casa, e chegar ao Tribunal de Contas e poder fazer uma gestão séria”, destacou Motta.
Apesar da declaração, Motta reconhece que o processo demanda diplomacia e que a vitória não está garantida por gravidade. Ele tem intensificado as conversas com as bancadas para consolidar a aceitação de Odair, embora ainda não tenha definido o cronograma para o pleito.
“Estamos conversando com os líderes. É claro que, o acordo do presidente, precisa ser construído com cada deputado, com cada liderança. Não é uma eleição mecânica”, pontuou ao Metrópoles.
A vacância no TCU ocorre oficialmente nesta quinta-feira (26), devido à aposentadoria compulsória do ministro Aroldo Cedraz, que atinge os 75 anos. Como a votação em plenário ocorre secretamente, o cenário ganha contornos de incerteza, especialmente com outros nomes do Centrão no páreo:
Hugo Leal (PSD-RJ);
Danilo Forte (União-CE);
Hélio Lopes (PL-RJ);
Antecipando-se aos rivais, Odair Cunha promoveu recentemente um jantar de articulação, reunindo lideranças da esquerda e de blocos moderados para sedimentar sua base e blindar o acordo que o coloca como favorito da cúpula.