Notícias Qual a sua opinião?
Desfile na Sapucaí foi o estopim para queda de Lula em pesquisa eleitoral; entenda
A avaliação do Valor Econômico, fruto de uma colaboração com a Bloomberg e publicado nesta quarta-feira (25), revelou, de forma inédita, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em vantagem sobre o atual mandatário em uma simulação de segundo turno
26/02/2026 12h52
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Reprodução: @EMERSON_PEREIRA_VIEIRA/15.02.2026

A performance das escolas de samba na Marquês de Sapucaí teria sido o catalisador central para o declínio da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última pesquisa eleitoral da AtlasIntel, conforme avaliação veiculada pelo periódico Valor Econômico. O estudo, fruto de uma colaboração com a Bloomberg e publicado nesta quarta-feira (25), revelou, de forma inédita, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em vantagem sobre o atual mandatário em uma simulação de segundo turno.

Nas estatísticas da Atlas/Bloomberg, o filho de Jair Bolsonaro detém 46,3% da preferência, enquanto o petista soma 46,2% — uma margem ínfima de 0,1 ponto percentual. No cenário de primeiro turno, Lula, que apresentava tendência de alta, regrediu de 48,8% para 45%. Em contrapartida, Flávio saltou de 35% para 37,9%, reduzindo a distância entre ambos de 13,8 para 7,1 pontos percentuais em apenas um mês.

O diagnóstico aponta que o revés não reside na condução do governo, mas na ótica sobre Lula como indivíduo. A rejeição ao governo (soma de “ruim” ou “péssimo”) permaneceu estagnada, movendo-se de 48,5% para 48,4%. Entretanto, a desaprovação à figura do presidente subiu de 50,7% para 51,5%.

Fevereiro costuma ser um hiato na esfera política, no qual o Carnaval rouba todos os destaques no noticiário. Nesse vácuo, a exibição da Acadêmicos de Niterói — que celebrou a vida de Lula em seu enredo — gerou enorme descontentamento e teria provocado um “dano autoinfligido” à imagem presidencial.

A repercussão negativa derivou da carga política do desfile. A agremiação não se limitou a homenagear Lula; também satirizou Jair Bolsonaro, atualmente encarcerado e sem direitos políticos, mas figura central no apoio ao herdeiro. Essa escolha reativou o embate ideológico direto.

Um dos momentos mais sensíveis foi a ala cujos componentes simbolizavam alimentos em conserva, sugerindo um jogo de palavras com a “família conservadora”, interpretado como uma afronta direta aos eleitores de direita. Para os analistas, “todos os gatilhos possíveis de mobilização foram acionados”, impulsionando o eleitorado conservador de volta à oposição.

Técnica de Amostragem e suas Fronteiras

A AtlasIntel opera via recrutamento digital aleatório, técnica comum no exterior e com histórico de precisão nas urnas brasileiras. Contudo, o método possui obstáculos: apenas 0,5% dos participantes se dizem indecisos — um número atípico para uma eleição remota. Além disso, brasileiros com acesso limitado à rede, como idosos ou residentes de municípios pequenos e de baixa renda, podem estar subnotificados na amostra.

Ainda assim, o Valor Econômico conclui que os números refletem o desgaste real do episódio carnavalesco. Embora não determine o desfecho final, a queda é um farol de advertência.

A análise faz uma analogia com 2022, lembrando que a queda de Jair Bolsonaro foi pavimentada por uma sucessão de polêmicas que, embora isoladas não fossem fatais, geraram um desgaste cumulativo.

No panorama atual, a flutuação da AtlasIntel não sela o destino de 2026, mas demonstra como gestos simbólicos em um ambiente dividido podem gerar impactos imediatos na sensibilidade do eleitorado e na dinâmica da disputa pelo Planalto.