No dia 7 de fevereiro de 1932, a Praça Onze se tornou o palco do primeiro desfile oficial das escolas de samba do Rio de Janeiro. Considerada o berço do samba e chamada de “Pequena África”, a região foi o ponto de encontro de gerações de sambistas que ajudaram a construir uma das maiores manifestações culturais do país, sob forte inspiração de Tia Ciata.
Antes disso, em 1929, houve uma disputa semelhante na casa de Zé Espinguela, no Engenho de Dentro. Participaram integrantes da Portela, então chamada Conjunto Carnavalesco Oswaldo Cruz, da Estação Primeira de Mangueira e da Deixa Falar. Sambas foram apresentados e a Portela saiu vencedora, tendo o próprio anfitrião como jurado. Apesar do simbolismo, o episódio não é considerado o primeiro campeonato, já que não houve desfile.
O marco oficial veio em 1932, quando o jornal Mundo Sportivo organizou a competição na Praça Onze. Na época, era comum que veículos de imprensa promovessem disputas carnavalescas entre blocos e ranchos. Dois dias antes do evento, o jornal O Globo destacou o que chamou de “grande Campeonato de Samba”, prometendo um espetáculo de “imponência excepcional”, com centenas de vozes ecoando pela cidade.
A reportagem, “Depois de amanhã, a praça Onze será theatro do Campeonato de Samba", publicada na época, descrevia como seria a descida dos morros como um acontecimento mágico, ressaltando instrumentos como a cuíca e o coro das pastoras. As escolas ainda não tinham o peso que conquistariam anos depois, quando superariam ranchos, cordões e grandes sociedades na preferência popular. O que começou como uma celebração organizada por um jornal se transformou, ao longo das décadas, no evento que projetaria o Carnaval carioca para o mundo inteiro.
Foi ali, naquele chão histórico da Praça Onze, que o samba saiu definitivamente dos morros para ocupar o centro da cidade. Um movimento cultural que, quase um século depois, continua arrastando multidões e mantendo viva a tradição construída por gerações de artistas populares.