Em uma participação marcante no programa Sem Censura, da TV Brasil, o ator Marcos Winter, de 59 anos, trouxe à tona um debate que divide opiniões no meio artístico: a substituição de atores profissionais por influenciadores digitais nas produções atuais. Em conversa com a apresentadora Cissa Guimarães, o veterano não poupou críticas à nova dinâmica do mercado, que prioriza o engajamento em redes sociais em detrimento da formação técnica.
“Eu sou um mero coadjuvante nessa história, mas eu quero ver veteranos na TV” afirmou durante o bate papo
Durante o desabafo, Winter lamentou a falta de oportunidades para nomes consolidados da dramaturgia e confessou se sentir deslocado diante das novas exigências das emissoras e plataformas de streaming. “Perdi o bonde”, desabafou o ator, ao refletir sobre como o etarismo o preconceito baseado na idade em afetado a escalação de veteranos para papéis de relevância.
"Eu perdi o bonde. Eu perdi o bonde das redes sociais, perdi o bonde dessa nova comunicação e, de certa forma, perdi o bonde do mercado."
Marcos defendeu a importância de valorizar quem dedicou a vida ao ofício, apontando que a busca imediata por números de seguidores compromete a qualidade das obras. “Quando entram muito os influencers, quando entra muito essa galera, que é muito mais moda do que formação de ator.” desabafou
Além das críticas à seleção de elenco, Winter traçou um paralelo entre o ofício de sua geração e a busca pela fama instantânea dos dias atuais. Ele pontuou que, antigamente, o foco absoluto era ser ator, enquanto hoje a prioridade parece ser a visibilidade, alertando que "o mercado está doente" por essa pressa em consumir imagens em vez de dramaturgia. Segundo o artista, essa dinâmica reflete diretamente na qualidade das produções e no sentimento de invisibilidade de quem não alimenta constantemente a "máquina" das redes sociais.
Com uma carreira sólida e respeitada, Marcos Winter é lembrado por personagens que marcaram a história da teledramaturgia brasileira. Seu papel de maior impacto foi o inesquecível Joventino (Jove) na versão original de Pantanal (1990), na Rede Manchete, trabalho que o alçou ao posto de um dos galãs mais requisitados da época. Ao longo dos anos, acumulou passagens de destaque em produções da TV Globo e, mais recentemente, brilhou em tramas bíblicas da Record TV, como na série Reis, onde reafirmou seu talento e versatilidade.