O panorama para a sucessão ao Palácio do Planalto em 2026 já apresenta seus primeiros passos. Faltando apenas nove meses para a abertura das urnas, o tabuleiro conta com ao menos sete nomes posicionados na linha de frente da disputa presidencial.
Nessa vitrine, destaca-se a tentativa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de conquistar um inédito quarto mandato, enquanto a oposição aposta em Flávio Bolsonaro (PL) como herdeiro político do clã, uma vez que seu pai, Jair Bolsonaro, está impedido de participar da vida pública. Atualmente, o ex-mandatário cumpre uma condenação superior a 27 anos no 19º Batalhão da PM do Distrito Federal, a "Papudinha", por crimes que incluem tentativa de golpe de Estado.
Embora Lula e Flávio polarizem as primeiras posições nas pesquisas, outras figuras buscam furar a bolha, como o mineiro Romeu Zema (Novo), o veterano Aldo Rebelo (DC), o líder do MBL Renan Santos (Missão), Samara Martins (UP) e o goiano Ronaldo Caiado — este último em uma queda de braço interna no PSD com Eduardo Leite e Ratinho Junior.
O cenário é volátil: o prazo para registros oficiais no TSE termina em 15 de agosto, permitindo desistências e novas adesões. O cronograma eleitoral prevê o primeiro turno para 4 de outubro e um eventual segundo turno para o dia 25 do mesmo mês.
Abaixo, os perfis dos principais nomes que já oficializaram o desejo de governar o país:
No último pleito, o petista indicou que seria "um presidente de um mandato só". Contudo, o discurso mudou com o tempo. Em 2025, no Rio, ele provocou a audiência sugerindo que o Brasil poderia "ter pela primeira vez um presidente eleito 4 vezes". A confirmação definitiva veio durante uma coletiva em Jacarta.
Aos 80 anos, Lula caminha para sua sétima campanha presidencial, liderando as pesquisas de primeiro turno (entre 35% e 45%, dependendo do instituto). Seu maior obstáculo é o teto de rejeição: a Quaest aponta que 57% da população não vê mérito em sua reeleição.
Senador e parlamentar desde os anos 2000, Flávio cotado para a Presidência pelo próprio pai em dezembro de 2025. O movimento consolidou sua posição como o rosto da direita na ausência do patriarca. Ele aparece consolidado em segundo lugar, com pesquisas Atlas/Bloomberg indicando, inclusive, um empate técnico num eventual embate direto com Lula (46,3% contra 46,2%). Entretanto, carrega uma rejeição de 55%, similar à de seu principal adversário.
O empresário e governador de Minas Gerais pretende ser a "terceira via" conservadora. Com um histórico de gestão no setor privado (Grupo Zema), ele declarou que pretende "varrer o PT do mapa". Embora tenha proximidade ideológica com o bolsonarismo, busca voo próprio após duas vitórias expressivas em Minas. Atualmente, seus índices de intenção de voto flutuam entre 1% e 8,5%, dependendo dos adversários listados.
Antigo expoente da esquerda, Rebelo agora transita por campos mais conservadores. Ao lançar sua pré-candidatura pela Democracia Cristã, criticou o atual governo e o Judiciário. Curiosamente, o ex-presidente da Câmara tentou atrair nomes do núcleo duro bolsonarista para sua chapa, simbolizando sua guinada política.
Uma das mentes por trás do MBL, Renan tenta transformar o capital digital do movimento em votos para o recém-criado partido Missão. O grupo, que foi peça-chave no impeachment de 2016, busca uma alternativa que não passe nem pelo PT, nem pelo apoio a Bolsonaro, que Santos considera "fora de cogitação".
A Unidade Popular aposta em uma renovação à esquerda com Samara, dentista e militante dos movimentos negro e feminino. O partido busca superar o desempenho de 2022, focando em pautas revolucionárias e sociais.
Gilberto Kassab conduz o PSD para ter um nome próprio de centro-direita.
Ronaldo Caiado: O governador de Goiás saiu do União Brasil para buscar viabilidade no PSD. Representante do agronegócio, ele tenta equilibrar seu histórico conservador com críticas à condução da pandemia e aos eventos de 8 de janeiro, que chamou de "inadmissível, inaceitável e condenável".
Eduardo Leite: Ex-PSDB, o governador gaúcho se posiciona como um gestor moderno que não se sente representado pelos polos atuais. Se não for o escolhido para o Planalto, deve mirar o Senado.
Ratinho Júnior: Com 63% de conhecimento público (segundo a Quaest), o governador paranaense é o mais popular do trio, mas também o que lida com maior rejeição interna. Ele afirma sentir "orgulho" em ser uma opção para a renovação política nacional.