A família de Preta Gil demonstra firmeza ao não aceitar o desfecho brando do episódio de preconceito religioso protagonizado pelo padre Danilo César, mesmo após ele fechar um acordo com o Ministério Público Federal (MPF). Os herdeiros da artista (1974-2025) decidiram impulsionar uma ofensiva jurídica no âmbito cível, pleiteando reparação por danos morais após as declarações ofensivas do clérigo.
Os advogados da família ressaltam disparidades flagrantes na conduta do sacerdote perante o Judiciário. A ação exige o pagamento de R$ 370 mil, além de retratação pública e medidas socioeducativas eficazes. O incidente ocorreu em julho de 2025, logo após o falecimento da cantora nos Estados Unidos, durante uma celebração eucarística transmitida digitalmente da Paróquia de São José, em Areial (PB).
Naquela ocasião, o padre utilizou o espaço sagrado para ironizar a partida da artista, vítima de complicações do seu tratamento contra o câncer, e proferir ofensas contra crenças de origem afro-indígena. Em uma fala que gerou indignação, ele questionou: “Gilberto Gil fez uma oração aos orixás, cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil? Já enterraram?”.
A hostilidade se estendeu aos paroquianos locais que frequentavam terreiros em municípios vizinhos. O padre classificou tais ritos como “coisas ocultas”, proferiu maldições desejando que “o diabo levasse” os praticantes e que estes despertassem “com calor no inferno”.
Para evitar o banco dos réus após denúncia de uma entidade cultural afro-brasileira, o religioso firmou um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) em fevereiro de 2026. O pacto estabeleceu sanções com caráter pedagógico:
Multa: Pagamento de aproximadamente R$ 5 mil a uma instituição de apoio à cultura negra.
Educação: Cumprimento de 60 horas em seminários sobre diversidade religiosa.
Produção Intelectual: Redação manuscrita de análises sobre obras literárias e audiovisuais que abordem o racismo e a história africana no Brasil, com prazo final em junho.
Uma das cláusulas do acordo previa a presença do sacerdote em uma cerimônia ecumênica com os parentes de Preta Gil. Embora o evento tenha ocorrido em 6 de fevereiro, a postura do padre foi marcada pelo silêncio absoluto, frustrando a expectativa de um pedido de perdão genuíno.