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Lulinha admite que 'careca do INSS' pagou suas despesas de viagem a Portugal
Conforme informações trazidas a público pelo jornal Estadão, o biólogo, conhecido como Lulinha, justificou que a comitiva a Portugal visava visitar uma fábrica de cannabis medicinal. Entretanto, ele refuta categoricamente a formalização de parcerias comerciais ou a obtenção de vantagens financeiras
03/03/2026 12h01
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha - Reprodução: Jovem Pan

O empresário, Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, admitiu a pessoas próximas que suas despesas de transporte e estadia em Portugal foram custeadas por Antônio Carlos Camilo Antunes, o 'Careca do INSS'. O lobista foi alvo de prisão recentemente, sob a acusação de articular um esquema de fraudes bilionárias contra a Previdência Social.

Conforme informações trazidas a público pelo jornal Estadão, o biólogo, conhecido como Lulinha, justificou que a comitiva a Portugal visava visitar uma fábrica de cannabis medicinal. Entretanto, ele refuta categoricamente a formalização de parcerias comerciais ou a obtenção de vantagens financeiras, assegurando que “não possui vínculo financeiro com o lobista”.

A Polícia Federal (PF) intensificou a vigilância sobre essa conexão após o depoimento de um antigo colaborador de Antunes, que sugeriu uma sociedade oculta com repasses mensais de R$ 300 mil. Além disso, comunicações interceptadas citam transferências ao “filho do rapaz”, codinome que os investigadores trabalham para identificar com precisão.

O cerco ao empresário se estendeu ao Poder Legislativo. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS autorizou o rompimento do sigilo bancário de Lulinha. O objetivo é mapear se houve fluxo de capital vindo de Antunes, suspeito de corromper ex-cúpulas do instituto em benefício de entidades que realizavam descontos irregulares em benefícios de idosos.

A defesa informal de Lulinha aponta que o contato com o lobista foi intermediado por Roberta Luchsinger, empresária que também figura no rol de investigados da PF.

O grupo teria mantido agendas frequentes em Brasília, especialmente em uma propriedade no Lago Sul pertencente a Roberta. Nesses episódios, os diálogos giravam em torno do mercado de cannabis para fins de saúde, abordando restrição de fiscalização e normas técnicas. Antunes, proprietário da World Cannabis, chegou a visitar o Ministério da Saúde ao lado da empresária para tentar destravar interesses no setor.

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A incursão por Lisboa e Aveiro ocorreu no final de 2024. Antunes pretendia investir em uma fábrica de cannabis medicinal. Fábio Luís reitera que sua presença foi meramente consultiva, sem recebimento de dividendos. Ele argumenta que suas movimentações financeiras, agora sob apuração, comprovarão apenas o faturamento legítimo de suas companhias.

Arquivos da investigação revelam que o lobista chegou a firmar um compromisso de compra de um imóvel industrial por 2,7 milhões de euros, aportando um sinal de 100 mil euros. Contudo, o projeto ruiu após a deflagração da operação policial. Até o momento, os envolvidos optaram por não emitir notas oficiais à imprensa.