O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) comentou nesta terça-feira (3/3) as revelações sobre o uso de uma aeronave particular pertencente a Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, durante o período eleitoral de 2022. Na ocasião, o parlamentar viajava pelo Brasil em suporte à reeleição de Jair Bolsonaro.
Em declarações feitas à coluna de Igor Gadelha, o deputado enfatizou que, na época das viagens, não tinha conhecimento sobre a propriedade da aeronave e que não pesavam suspeitas sobre as atividades de Vorcaro ou do Banco Master. “Nem sabia quem era o cara. Na época, não tinha suspeita pra ir atrás. Foi há 4 anos”, afirmou Nikolas. O parlamentar utilizou uma analogia esportiva para reforçar sua defesa, citando a participação de Vorcaro na SAF do Atlético Mineiro: “Ele (Vorcaro) tinha 20% do Galo (Atlético Mineiro). Imagina o Hulk (atual atacante do time) responder porque ele era dono do time”, declarou o deputado.
Nikolas argumentou que o deslocamento aéreo faz parte de sua rotina de palestras e eventos políticos, e que o passageiro nem sempre tem controle ou ciência sobre a origem dos bens oferecidos por apoiadores ou contratantes. “Eu entro em um monte de avião que eu não sei qual o dono para ir para palestra. Aí o cara faz merda, e o culpado sou eu?”, questionou.
A polêmica em torno de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, escalou entre 2025 e 2026 com a Operação Compliance Zero, que revelou um suposto esquema de fraudes de R$ 12 bilhões fundamentado em créditos fictícios e transações suspeitas com o Banco de Brasília (BRB). O caso atingiu o topo do Judiciário e do Legislativo após a Polícia Federal encontrar mensagens sobre pagamentos de R$ 20 milhões a uma empresa ligada ao ministro Dias Toffoli e o uso de seus jatinhos particulares por políticos como Nikolas Ferreira. Com a descoberta de movimentações em paraísos fiscais nas Ilhas Cayman e o financiamento de festas luxuosas para a elite do poder, Vorcaro passou a ser visto como uma "bomba-relógio" em Brasília, utilizando a ameaça de uma delação premiada como instrumento de pressão contra as figuras públicas que orbitavam seu círculo de influência.