No último domingo foram revelados os finalistas do “Melhores do ano”, premiação do “Domingão com Huck”, tradicionalmente exibida em dezembro, mas que, após mudança no calendário, será realizada ao vivo no dia 29 de março. Escolhidos pelos funcionários da TV Globo, os indicados disputam o voto do público para definir os vencedores.
Conhecida nos bastidores como a “festa da firma”, já que apenas profissionais da própria emissora concorrem, a celebração reúne todos os indicados no palco para uma grande confraternização. Mas, desta vez, a lista de finalistas gerou mais questionamentos do que entusiasmo.
Bastou a divulgação das categorias para que uma enxurrada de comentários nas redes sociais colocasse em dúvida algumas escolhas. Não é para menos. Nomes que se destacaram ao longo do último ano ficaram de fora, enquanto outros, não unânimes, apareceram na relação, dando a impressão de que a emissora tenta valorizar produções e profissionais que enfrentaram críticas do público. Em outras palavras: uma espécie de autopromoção.
Na categoria Novela, “Garota do momento” e “Três Graças” justificam a indicação ao equilibrar qualidade e repercussão. Já “Vale tudo” poderia ceder lugar a “Dona de mim”, que em vários momentos foi a atração mais assistida da TV brasileira, mesmo competindo com o remake assinado por Manuela Dias. Outra ausência sentida é “Guerreiros do Sol”, uma das produções mais caprichadas de 2025. Com reviravoltas exageradas, personagens deixados de lado e um último capítulo pouco convincente, a ausência de “Vale tudo” nesta lista não seria nenhum absurdo.
Entre as Atrizes de Novela, Deborah Bloch, Duda Santos e Grazi Massafera aparecem como escolhas naturais. Taís Araujo também merece a lembrança: conseguiu tirar leite de pedra de sua Raquel em “Vale tudo”, provando que o problema estava na personagem, e não na atriz. A ausência mais sentida, no entanto, é a de Sophie Charlotte. Sua Gerluce, em “Três Graças”, é uma das protagonistas mais bem construídas das novelas recentes e acabou perdendo espaço para Bella Campos, cuja interpretação de Maria de Fátima dividiu opiniões.
Em Ator de Novela, Tony Ramos prova que sua simples presença já é um evento. Mesmo com participação menor em “Dona de mim”, segue sendo um dos pilares da dramaturgia brasileira. Murilo Benício, Pedro Novaes, Sergio Guizé e Thomás Aquino completam a lista. Ainda assim, fica a sensação de que Irandhir Santos, pelo trabalho impecável em “Guerreiros do Sol”, merecia estar ali.
Na categoria Atriz Coadjuvante, Alice Carvalho e Belize Pombal entregaram bons trabalhos. Paolla Oliveira teve momentos marcantes em “Vale tudo”, embora sua personagem tenha perdido força ao longo da trama. Maisa se esforçou, mas talvez pudesse abrir espaço para Carol Castro, que teve uma oportunidade bem aproveitada em “Garota do momento”, ou Giovanna Lancellotti, destaque em “Dona de mim” ao abordar um tema delicado: o estupro. Ainda assim, se houver justiça, o troféu deveria ir para Suely Franco, que aos 86 anos emocionou o país com sua Rosa, personagem com doença de Alzheimer, tema ainda pouco explorado nas novelas.
Entre os Atores Coadjuvantes, Cauã Reymond apostou em um César mais cômico em “Vale tudo”, funcionando como alívio na trama. Eduardo Sterblitch também divertiu em “Garota do momento”. Pedro Novaes aparece duas vezes na premiação e aqui divide espaço com o pai, Marcello Novaes, que agradou como vilão em “Dona de mim”. Alexandre Nero fecha a lista: mesmo sem o peso do Marco Aurélio da versão original, entregou um bom trabalho.
Na categoria Revelação, Alana Cabral surge como um dos nomes mais promissores. Muitos defendem, inclusive, que o troféu deveria ser dela. Também aparecem Belo e Gabriela Lohan, de “Três Graças”, além de L7nnon, que surpreendeu em “Dona de mim”, e Ricardo Teodoro, em grande sintonia com Cauã Reymond em “Vale tudo”.
Entre as Séries, “Dias perfeitos”, “Pablo e Luisão” e “Raul Seixas: eu sou” mostram a força da dramaturgia seriada da emissora em 2025. Já nas categorias de Atuação, nomes como Ailton Graça, Dira Paes, Otávio Müller, Jaffar Bambirra e Julia Dalavia aparecem como escolhas acertadas. Ainda assim, a ausência de Ravel Andrade, por sua interpretação de Raul Seixas, chama atenção.
No Jornalismo, Poliana Abritta surge como novidade, enquanto Maju Coutinho e César Tralli repetem presença. Tralli, aliás, venceu a categoria no ano passado. Já a lembrança das apresentadoras do “Fantástico” parece uma tentativa de fortalecer o programa, que enfrenta críticas recentes e já não vive seus melhores tempos. A ausência de Renata Lo Prete e Renata Vasconcellos evidencia um descompasso entre quem indica e quem vota.
Em Esporte, a escolha parece mais consensual: Fred Bruno, Alex Escobar e Everaldo Marques representam bem o setor.
No Humor, Paulo Vieira segue como figura central da emissora e pode sair premiado duas vezes, como humorista e como criador de “Pablo e Luisão”. Rafael Portugal e Tata Werneck completam a lista. A categoria “Paulo Gustavo” está bem representada, mas reforça uma sensação recorrente: ainda faltam mais comediantes na televisão aberta.
Presente na época de Fausto Silva, a categoria Ator ou Atriz Mirim desapareceu desde que Luciano Huck assumiu a apresentação do "Domingão". Uma pena, pois, apesar da pouca idade, grandes talentos não faltam. Entre eles, Elis Cabral e Lorenzo Reis, ambos de "Dona de mim".
Entre acertos e ausências difíceis de explicar, resta ao público decidir quem merece levar o troféu. Ou, ao menos, quem parece mais justo premiar.