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PT aponta possível interferência de Trump nas eleições 2026; entenda
Líderes do Partido dos Trabalhadores (PT) interpretam a sugestão do governo americano em equiparar grupos criminosos brasileiros a organizações terroristas como um possível movimento estratégico do presidente Donald Trump para influenciar as eleições de 2026 no Brasil
10/03/2026 12h20 Atualizada há 6 meses
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Presidente Donald Trump - Reprodução: Carreira Jurídica

Líderes do Partido dos Trabalhadores (PT) interpretam a sugestão do governo americano em equiparar grupos criminosos brasileiros a organizações terroristas como um possível movimento estratégico do presidente Donald Trump para influenciar as eleições de 2026 no Brasil.

Conforme apurado pela CNN Brasil, enquanto o governo de Luiz Inácio Lula da Silva refuta a proposta, a iniciativa encontra força no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência pela oposição. Nos bastidores do Planalto, a leitura é de que tal ofensiva por parte de Washington poderia servir para dar impulso a candidaturas alinhadas à direita em solo latino-americano, abrangendo não só o Brasil, mas também nações como Colômbia e Peru, que igualmente atravessam ciclos eleitorais.

Apesar de uma breve apatia nos atritos diplomáticos após contatos entre Lula e Trump na ONU, em setembro de 2025, a insistência em rotular facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como entidades terroristas reacendeu o clima de desconfiança na Esplanada. No último domingo (8), o chanceler Mauro Vieira manteve diálogo com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, focando em formas de cooperação contra o crime transnacional. O tema deve pautar a futura agenda entre os dois chefes de Estado, cujo encontro presencial foi postergado devido à crise internacional envolvendo o Irã.

O Executivo brasileiro resiste ao enquadramento, sob o temor de que tal medida crie precedentes perigosos, como possíveis incursões militares estrangeiras ou sanções econômicas ao país. O tópico foi abordado diretamente entre os presidentes em dezembro, durante tratativas sobre cooperação no enfrentamento ao crime organizado.

O Dossiê e a Soberania

Nos corredores políticos, existe a preocupação de que o assunto vire munição eleitoral. Em maio de 2025, Flávio Bolsonaro apresentou a uma comitiva enviada por Trump um relatório confeccionado por órgãos de segurança de São Paulo e Rio de Janeiro, buscando vincular a atuação de facções ao terrorismo. Na época, especialistas do Ministério da Justiça esclareceram aos interlocutores americanos que, à luz do ordenamento jurídico brasileiro, tais grupos são tipificados como organizações criminosas, e não terroristas.

O governo tem utilizado as recentes aprovações da "Lei Antifacção" e a discussão da "PEC da Segurança Pública" como provas de que o Brasil detém ferramentas próprias para lidar com a criminalidade. Nessa última segunda-feira (9), o presidente do PT, Edinho Silva, condenou a pressão dos EUA e defendeu a autodeterminação nacional. Segundo o dirigente:

“O Brasil é um país soberano, não pode aceitar interferências externas. O governo Lula mantém uma política séria de cooperação internacional com diversas nações para enfrentar o crime organizado, mas jamais abrirá mão de sua soberania, pois temos a convicção de que o Brasil tem instrumentos legais e institucionais suficientes para combater o crime organizado e garantir a ordem pública dentro de suas fronteiras”, afirmou