No próximo domingo, o Brasil terá cinco motivos para assistir à 98ª edição do Oscar, a premiação de cinema mais importante do mundo, ainda que hoje em dia não escape de questionamentos.
“O agente secreto”, do diretor Kleber Mendonça Filho, concorre em quatro categorias, incluindo Melhor Filme. Além disso, ainda podemos torcer pelo paulista Adolpho Veloso, diretor de fotografia de “Sonhos de trem”.
Mas, depois do êxito de “Ainda estou aqui”, de Walter Salles, que ganhou a estatueta de Melhor Filme Internacional na cerimônia do ano passado, quais são as chances do Brasil sair novamente vitorioso?
A seguir, uma análise das principais categorias e as preferências deste colunista que vos escreve:
ELENCO - Modalidade estreante em 2026. Apesar de “O agente secreto” estar indicado e seu elenco, dirigido por Gabriel Domingues, ter recebido uma enxurrada de elogios, o filme terá de enfrentar dois fortes concorrentes: “Uma batalha após a outra” e “Pecadores”, vencedor do Actor Awards nesta categoria. Ainda que qualquer um deles possa ser escolhido pela Academia, o conjunto de atores do longa brasileiro é não só mais numeroso como também mais consistente. Merece vencer.
FOTOGRAFIA - Aqui temos Adolpho Veloso e sua magnífica fotografia em “Sonhos de trem”. Há uma grande chance de ele subir ao palco e ser reconhecido, mas novamente “Pecadores” e “Uma batalha após a outra” aparecem como adversários fortes. Este último, inclusive, venceu o BAFTA de Melhor Fotografia de 2025.
DIREÇÃO - Se perguntarmos a críticos e cinéfilos, muitos responderão em coro: Paul Thomas Anderson será premiado pela primeira vez. Ele também é o meu favorito. Não apenas por seu atual “Uma batalha após a outra”, mas pelo conjunto de sua carreira, que inclui obras como “O mestre”, “Sangue negro” e “Trama fantasma”. Ainda assim, Ryan Coogler pode surpreender.
ROTEIRO ADAPTADO - Pode soar repetitivo, mas esta é mais uma categoria que parece destinada a “Uma batalha após a outra”. O filme já venceu o BAFTA e o Globo de Ouro. Por que não ganharia também o Oscar? Apesar de apreciar o roteiro, ficaria satisfeito se o sensível “Hamnet: a vida antes de Hamlet” acabasse levando o prêmio.
ROTEIRO ORIGINAL - As apostas indicam “Pecadores”, e não seria surpresa vê-lo vencedor. Além de agradar aos especialistas que acompanham a sétima arte, o filme também conquistou o público e se destacou nas bilheterias, especialmente entre os fãs do terror de vampiros. Ainda assim, o magistral “Foi apenas um acidente” poderia contrariar as previsões.
ATRIZ COADJUVANTE - Se existe uma categoria em aberto, é esta. Amy Madigan, por “A hora do mal”, venceu o Actor Awards. Teyana Taylor, por “Uma batalha após a outra”, ganhou o Globo de Ouro. Já Wunmi Mosaku, por “Pecadores”, levou o BAFTA. Quem ficará com o Oscar? Minha aposta ainda é Madigan, tanto pela atuação quanto pela trajetória.
ATOR COADJUVANTE - Entre os homens, o cenário é parecido. Jacob Elordi, por “Frankenstein”, venceu o Critics’ Choice. Sean Penn, por “Uma batalha após a outra”, levou o Actor Awards. Stellan Skarsgård, por “Valor sentimental”, conquistou o Globo de Ouro. Ou seja, a disputa deve ficar para a última hora. Ainda assim, contrariando os três favoritos, eu gostaria de ver Benicio Del Toro, também de “Uma batalha após a outra”, levando a estatueta.
ATRIZ PRINCIPAL - A única que talvez pudesse tirar o Oscar de Jessie Buckley seria Rose Byrne, por seu ótimo trabalho em “Se eu tivesse pernas, eu te chutaria”. Ainda assim, as chances parecem pequenas. Buckley simplesmente domina “Hamnet: a vida antes de Hamlet”. Sua interpretação é arrebatadora e já consigo ouvir seu nome sendo anunciado.
ATOR PRINCIPAL - Mais uma chance de o Brasil ser premiado. Fernanda Torres não venceu no ano passado, mas Wagner Moura pode corrigir esse capítulo com “O agente secreto”. Assim como Torres, o baiano venceu o Globo de Ouro, recebeu elogios da crítica internacional e aparece em diversas previsões como possível vencedor. Mas a disputa é dura. De um lado está Timothée Chalamet, por “Marty supreme”, vencedor do Critics’ Choice. Do outro, Michael B. Jordan, que interpreta dois personagens em “Pecadores” e ganhou o Actor Awards. Jordan ganhou força porque muitos integrantes do sindicato dos atores também votam no Oscar. Até pouco tempo atrás, Chalamet parecia o favorito absoluto. Porém, o ator se envolveu recentemente em uma polêmica ao afirmar, em entrevista, que ópera e balé são artes que não despertam o interesse do público. A declaração provocou críticas no meio artístico. Mesmo assim, como a controvérsia surgiu nos últimos dias de votação, dificilmente terá impacto real. De qualquer forma, trata-se de três grandes atuações. Ainda assim, na minha opinião, Wagner Moura mereceria sair consagrado. Não por ser brasileiro, mas por entregar uma interpretação que é, simplesmente, uma aula de atuação.
FILME INTERNACIONAL - Nunca na história do Oscar um país venceu esta categoria por dois anos consecutivos. Como o Brasil foi premiado em 2025, resta saber se a Academia voltará seus olhos para o nosso cinema mais uma vez. “O agente secreto” tem credenciais fortes. O filme já venceu o Globo de Ouro, o Critics’ Choice e diversas associações de críticos ao redor do mundo. Porém, existe um obstáculo importante: o norueguês “Valor sentimental”, dirigido por Joachim Trier. Sensível e sofisticado, o longa pode dar à Noruega seu primeiro Oscar. Aliás, todos os indicados aqui são dignos de aplausos. O francês “Foi apenas um acidente”, o espanhol “Sirât” e o tunisiano “A voz de Hind Rajab” também impressionam. Este último, inclusive, é capaz de arrancar lágrimas de qualquer espectador.
FILME - Na categoria mais importante da noite, apesar de 10 indicados, a disputa parece concentrada em dois títulos: “Pecadores” e “Uma batalha após a outra”. Este último, aliás, venceu boa parte das premiações da temporada e aparece entre os favoritos de grande parte da crítica.
Neste ano, um recorde foi registrado. “Pecadores” recebeu 16 indicações, algo inédito na história da premiação. Até então, o máximo havia sido 14, número alcançado por “A malvada”, “Titanic” e “La la land”.
A quem interessar, entre os 10 indicados a Melhor Filme, minha ordem de preferência é:
1º “Valor sentimental”
2º “Uma batalha após a outra”
3º “Marty Supreme”
4º “Hamnet: a vida antes de Hamlet”
5º “O agente secreto”
6º “Pecadores”
7º “Sonhos de Trem”
8º “Bugonia”
9º “F1”
10º “Frankenstein”