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Governo revoga visto de assessor do governo dos EUA que tentou visitar Bolsonaro; saiba o motivo
O norte-americano pretendia visitar Jair Bolsonaro na Papuda sem comunicar a agenda oficial ao governo brasileiro, o que foi barrado pelo STF e pelo Ministério das Relações Exteriores.
13/03/2026 18h10 Atualizada há 6 meses
Por: Redação
Darren Beattie. Reprodução/ Agencia Brasil/ © Departamento de Estado dos EUA/Divulgação

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil revogou o visto de entrada de Darren Beattie, assessor do governo dos Estados Unidos, que desembarcaria no país na próxima semana. A decisão, anunciada pelo Itamaraty, fundamenta-se na omissão e no falseamento de informações cruciais sobre o real objetivo da viagem durante o processo de solicitação do documento em Washington.

Segundo o governo brasileiro, a medida está estritamente alinhada à legislação nacional e aos tratados internacionais de diplomacia. O impasse ganhou força após a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro solicitar ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma autorização para que Beattie o visitasse no Complexo Penitenciário da Papuda, onde Bolsonaro cumpre pena de 27 anos por liderar a tentativa de golpe de Estado.

Nesta quinta-feira (10), o ministro Alexandre de Moraes negou o pedido de visita. Ao consultar o Itamaraty, o ministro constatou que o encontro com o ex-presidente não constava na agenda oficial comunicada à diplomacia brasileira. A Embaixada dos Estados Unidos havia informado apenas que Beattie participaria de um evento sobre minerais críticos em São Paulo, omitindo qualquer agenda política em Brasília.

O Itamaraty reforçou que um encontro não oficial entre um assessor da Casa Branca e um preso condenado por crimes contra o Estado poderia ser configurado como "ingerência indevida em assuntos internos do Brasil". O episódio gerou reações no alto escalão; o presidente Lula chegou a comentar o caso de forma irônica, condicionando a flexibilização de vistos diplomáticos à reciprocidade em casos envolvendo autoridades brasileiras, como o ministro Alexandre Padilha.