Tem gente que nasce para a televisão. Eliana é uma delas. Desde os 18 anos, quando estreou no SBT com o “Festolândia”, foi aprendendo o ofício e construindo, tijolo por tijolo, uma das carreiras mais sólidas da TV brasileira. Mais de três décadas depois, ela chegou à Globo. E chegou grande.
Quando o relógio marcou 14h20 no último domingo e o “Em família com Eliana” finalmente estreou na tela da emissora carioca, havia expectativa no ar. Não só do departamento comercial, mas também de quem torce pela apresentadora. E ela correspondeu, ao menos na parte que lhe cabe: carisma, sorriso e leveza de quem fez do palco sua segunda casa. Eliana é daquelas figuras que conseguem transformar um estúdio em uma sala de estar. A câmera gosta dela. O público, mais ainda. E ela se entrega de um jeito sincero.
O novo formato propõe unir competição musical, boas histórias e valorização da cultura brasileira. Na teoria, um bonito projeto. Na prática, pelo que se viu na estreia, foram uma hora e quinze minutos que pareceram mais curtos do que deveriam. A edição, pressionada pelo espaço apertado na grade, acabou sacrificando a naturalidade que faria a atração respirar, tornando-a ansiosa, parcialmente superficial e acelerada.
Há ainda uma questão maior que a Globo precisará encarar mais cedo ou mais tarde: o eixo musical como espinha dorsal do formato em um horário que já se mostrou ingrato para esse tipo de proposta. “The voice Brasil”, “Pipoca da Ivete” e “The masked singer” chegaram com força, encantaram no início e foram murchando com o tempo. A audiência das tardes de domingo quer ser entretida, mas também surpreendida e provocada. Quadros musicais, diferentemente dos anos 1990 e do início dos anos 2000, dificilmente sustentam sozinhos um programa semanal por muito tempo.
E aí está o paradoxo desta estreia: Eliana, que já ocupou a grade dominical de três grandes emissoras do país, merece um projeto à altura de seu talento e de sua versatilidade, com mais fôlego, maior duração e, principalmente, espaço para as surpresas que fazem o telespectador abandonar o celular e fixar os olhos na tela da TV. Algo que dê à apresentadora a chance de dominar o palco sem precisar olhar para o relógio.
A estreia conquistou o primeiro lugar absoluto, e isso é motivo de comemoração. Mas estreia é estreia. Carrega o efeito da curiosidade, do carinho acumulado e da afeição do público. O verdadeiro teste virá nas próximas semanas, quando a novidade assentar e o formato se sustentar por méritos próprios.