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Investigados planejaram comprar jatinho com dinheiro de fraude do INSS: “Deixa de fazer corpo mole”
Mensagens interceptadas indicam que suspeitos planejavam ostentar com recursos obtidos ilegalmente
17/03/2026 14h03
Por: Natália Raquel
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Mensagens analisadas pela Polícia Federal (PF) revelam que investigados em um esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) discutiram a utilização de dinheiro ilícito para a compra de um jatinho.O conteúdo faz parte da Operação Sem Desconto, que apura crimes como estelionato previdenciário, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As conversas indicam que os envolvidos cogitavam utilizar valores obtidos de forma irregular para aquisição de bens de alto padrão.

Em um dos diálogos, uma das investigadas incentiva outro integrante do grupo a investir na compra da aeronave, citando que outros envolvidos já estariam avançando com a mesma ideia.

“Deixa de fazer corpo mole. Vai atrás desse negócio, bora comprar um jatinho. O Natjo já vai comprar um jato. Vambora entrar na fila? Vamos ver se consegue aí o negócio, rapaz, pra gente?”, declarou.

Entre os principais alvos da operação está o empresário Natjo de Lima Pinheiro, apontado como um dos operadores centrais do esquema. Segundo as investigações, ele atuava na movimentação financeira e na gestão de entidades envolvidas nas irregularidades. Ele foi preso durante a ação.

A empresária e advogada Cecília Rodrigues Mota, também detida, é apontada como integrante do núcleo operacional da organização. De acordo com a PF, ela teria participação direta na estrutura que viabilizava as fraudes, atuando ao lado de outros investigados.As apurações indicam que o grupo utilizava dados falsos inseridos em sistemas oficiais para autorizar descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas, muitas vezes sem o conhecimento das vítimas. O prejuízo estimado pode chegar a bilhões de reais.

Durante o cumprimento dos mandados, agentes encontraram grandes quantias em dinheiro em espécie, além de veículos de luxo, em endereços ligados aos investigados. Parte dos valores foi localizada com um homem apontado como auxiliar direto de uma das líderes do esquema.

A operação cumpre mandados de busca e apreensão, além de prisões e outras medidas cautelares no Distrito Federal e no Ceará. Os investigados podem responder por crimes como organização criminosa, fraude previdenciária, lavagem de dinheiro e inserção de dados falsos em sistemas públicos.