O novo mandado de prisão contra o goleiro Bruno, que voltou a ser considerado foragido pela Justiça, reacendeu uma ferida que nunca cicatrizou na família de Eliza Samudio. Em entrevista exclusiva ao portal Felipeh Campos, o irmão da vítima, Arlie Moura, de 27 anos, falou abertamente sobre o caso e não poupou críticas à justiça, ao algoz de sua irmã e até mesmo à própria família.
Direto, ele apontou falhas graves no sistema e disse que o erro começou muito antes da atual situação, onde Bruno é procurado pela polícia:
A Justiça falhou no momento que soltou. Agora arque com as consequências. A terrena até pode falhar, mas a espiritual não.
Mesmo com a esperança de uma nova prisão, Arlie deixou claro que nenhuma decisão será capaz de reparar o que aconteceu com Eliza. Ele ainda foi além com uma crítica ainda mais sensivel: para ele, a maior falha do sistema ocorreu antes do crime:
Estou esperançoso que seja preso novamente e fique um bom tempo, mas isso não traz minha irmã de volta e nem apaga os danos psicológicos que ele causou [...] A falha da Justiça começou no momento que não deu amparo e suporte pra minha irmã antes dela ser morta. Se tivessem olhado melhor, ela poderia estar viva hoje.
Apesar do histórico do caso, Arlie mantém uma posição que surpreende. Mesmo com Bruno novamente foragido, ele diz que o sentimento de perdão não mudou, mas isso não significa complacência:
Não muda em nada, mas só prova o quanto ele não presta e tem muita culpa no cartório. E para os fãs dele pararem de ser besta.
O irmão da vítima também falou sobre uma das maiores dores que atravessam quase 16 anos: o desaparecimento do corpo de Eliza. Para ele, a resposta existe, mas esbarra no medo. “Resposta sempre tem, só basta quem sabe a verdade abrir a boca. Mas o medo de ser o próximo é grande.” Sem esconder o peso dessa ausência, ele desabafou sobre o impacto no luto:
É uma esperança e uma espera sem fim, um luto de quase 16 anos. Mesmo se acharem, essa ferida e a dor sempre existirão.
Ao falar diretamente sobre Bruno, Arlie foi ainda mais incisivo e fez um apelo que ecoa há anos. “Se você tem um pingo de humanidade, fala o que você fez com minha irmã. Se teve coragem pra fazer, tenha pra assumir.” E completou, sem rodeios: “Do Bruno eu não espero nada.”
Nesta terça-feira (17), uma carta aberta assinada por Sônia Moura e pela madrinha do filho de Eliza ganhou repercussão nacional ao cobrar a prisão do goleiro e denunciar o que classificaram como impunidade. No texto, elas afirmam que “um feminicida desfila impune”, além de questionarem a atuação do Judiciário.
Arlie, no entanto, fez questão de se posicionar e negou participação no documento, adotando um tom firme ao comentar o assunto, além de revelar um incômodo pessoal com a situação:
Está equivocado colocar família. Deveria colocar mãe e madrinha, pois eu não estava presente e nem ciente da carta [...] O erro já começou com dona Sônia, minha genitora, em sempre me excluir de tudo que menciona a Eliza.
Além disso, o irmão de Eliza respondeu de forma crítica e reflexiva sobre o fato de Bruno ainda obter apoio por uma parte da população. Recentemente, inclusive, o goleiro não apenas voltou a jogar profissionalmente como também ganhou destaque popular e midiático ao disputar uma partida oficial da Copa do Brasil.
Uma parte do Brasil infelizmente só segue o padrão de dar ibope pra gente que não presta, nem me abalo mais com isso. Só me mostra como tem gente de caráter duvidoso.
A nova polêmica envolvendo o caso acontece justamente no momento em que Bruno volta ao radar das autoridades, após não ser localizado para cumprir exigências judiciais, reacendendo o debate sobre impunidade, falhas no sistema e a longa espera por respostas que, até hoje, nunca chegaram completamente.