Investigações sobre o esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apontam que o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, utilizou empresas de fachada para movimentar milhões de reais e dificultar o rastreamento dos valores.
Segundo dados analisados pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI), uma das estratégias envolvia o envio de recursos para diferentes CNPJs, prática conhecida como “pulverização”, com o objetivo de ocultar a origem e o destino do dinheiro.
Entre as empresas citadas está a Wave Intermediação, que recebeu cerca de R$ 1 milhão de uma das firmas ligadas ao empresário. Apesar de registrada em nome de um motoboy e sediada em um imóvel simples na zona oeste de São Paulo, a empresa movimentou bilhões em contas bancárias nos últimos anos.
A Wave também aparece em outra investigação relevante: o suposto desvio de recursos ligados a um contrato de patrocínio do Corinthians. Nesse caso, a empresa teria atuado como intermediária financeira, funcionando como uma “conta de passagem” para valores desviados.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a utilização de uma empresa registrada em nome de uma idosa de 90 anos, já falecida. Mesmo após a morte da suposta proprietária, a firma continuou movimentando altas quantias, o que levanta suspeitas sobre o uso de “laranjas” no esquema.
De acordo com os dados levantados, empresas ligadas ao grupo movimentaram centenas de milhões de reais em um curto período. Parte desses recursos teria origem em descontos indevidos aplicados a benefícios de aposentados e pensionistas.
As autoridades apuram agora a extensão da rede envolvida e o papel de cada empresa na circulação dos valores. O caso integra um conjunto de investigações que apontam para um possível esquema estruturado de fraude, com uso de mecanismos sofisticados para ocultação de dinheiro.