O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, negou de forma categórica as acusações feitas pelos Estados Unidos sobre a suposta existência de bases secretas da China em território brasileiro. A declaração foi dada nesta quarta-feira durante reunião na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara.
A resposta veio após questionamento do deputado Gustavo Gayer, baseado em um relatório divulgado pelo Congresso norte-americano. O documento sugeria que o Brasil estaria sendo utilizado como base para operações chinesas, o que foi prontamente rebatido pelo chanceler.
Não existe estação, nem antena, nem operação chinesa, nem parceira militar, nem qualquer elemento que justifica as ilações descritas no relatório ou nas denúncias subsequentes. Estamos falando, portanto, de especulações derivadas de notícias de internet, cujos conteúdos foram descontextualizados e distorcidos.
Entre os pontos citados pelos americanos estão a Estação Terrestre Tucano, em Salvador, e o telescópio Bingo, em construção na Paraíba. Sobre o primeiro, o ministro explicou que o projeto ainda está em fase inicial, sem qualquer estrutura física instalada.
Vieira também esclareceu que houve apenas um memorando de entendimento entre a empresa Alya Space e uma companhia chinesa, mas que o acordo não avançou para operação prática ou comercial.
Já em relação ao telescópio Bingo, o chanceler reforçou que o objetivo do projeto é exclusivamente científico, envolvendo pesquisas sobre energia escura, matéria e outros fenômenos do universo, com participação de diversos países.
“Não há absolutamente nenhum elemento operacional, tecnológico ou material que permita associar o Telescópio Bingo a atividades de inteligência, espionagem ou qualquer objetivo militar”, completou Mauro Vieira.
A fala do ministro acontece em meio ao aumento da tensão internacional e levanta debate sobre a relação entre Brasil, China e Estados Unidos, além de colocar o país no centro de uma disputa geopolítica sensível.