A capital paulista foi palco, nessa última quinta-feira (19), de uma transição histórica no núcleo econômico do Governo Federal. Durante a abertura da 17ª Caravana Federativa, Fernando Haddad (PT) iniciou seu pronunciamento em tom de despedida: “Hoje é um dia especial, um dia em que estou deixando o Ministério da Fazenda”.
O evento, coordenado pela Secretaria de Relações Institucionais, reuniu o presidente Lula e o vice, Geraldo Alckmin, para a entrega de moradias, viaturas e equipamentos hospitalares. Contudo, o foco político desviou-se para a sucessão na Fazenda: Haddad encerra seu ciclo ministerial hoje, passando o bastão para Dario Durigan, atual número vice da pasta, conforme anunciado pelo presidente.
O futuro candidato ao governo de São Paulo relatou que dedicou a véspera para selar sua saída com o Legislativo.
“Ontem [quarta-feira] tive a alegria de visitar a Câmara e o Senado, os presidentes Davi Alcolumbre e Hugo Motta, para agradecer o empenho na aprovação das medidas necessárias para chegarmos até aqui”, pontuou Haddad.
Ele atribuiu os êxitos econômicos a uma coalizão robusta entre governadores, prefeitos e o Congresso.
Alckmin fez questão de listar os legados do colega, destacando a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil e a aprovação da Reforma Tributária. Sobre o novo desafio eleitoral de Haddad, o vice-presidente elogiou sua postura: “Com o fim dessa jornada, que é transitória, você demonstra uma das virtudes da vida pública, que é a coragem da moderação”.
A cerimônia também serviu como palanque para críticas diretas ao atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Lula contestou a autoria de projetos estaduais, afirmando que “parte das grandes obras que o governo de São Paulo anuncia como se fossem dele é iniciativa beneficiada pelo BNDES”.
O presidente também ironizou a comunicação do programa "Casa Paulista", sugerindo que falta transparência sobre a origem dos recursos federais: “O governador poderia pelo menos dizer: essas casas paulistas são feitas pelo Minha Casa, Minha Vida, do governo federal”. Por fim, Lula contrastou sua gestão com a estadual, alegando que, ao contrário de Tarcísio, recebe todos os prefeitos com “decência e dignidade”, independentemente de divergência partidária.
A agenda de Haddad como ministro termina esta noite no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, onde sua candidatura ao Palácio dos Bandeirantes será oficializada ao lado de Lula.