A saída de Fernando Haddad do Ministério da Fazenda, confirmada para esta sexta-feira (20), não chega sozinha. Nos bastidores de Brasília, a decisão já desencadeou uma verdadeira dança das cadeiras dentro da pasta, com mudanças que devem mexer diretamente na condução da economia.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não demorou a agir e já definiu quem assume o comando. O escolhido é Dario Durigan, atual número dois da Fazenda, que vinha ocupando a secretaria-executiva desde junho de 2023 e é visto como um nome técnico, com forte capacidade de articulação.
Durante evento em São Paulo, Lula fez questão de apresentar o substituto em tom direto:
Quero cumprimentar o companheiro Dario Durigan, levanta aí para as pessoas conhecerem, que será o substituto do Haddad na Fazenda a partir do anúncio do Haddad. Olhem bem para a cara dele porque é ele que vocês vão cobrar muitas coisas.
Com a mudança, outras peças também começam a se mover. Segundo o jornal Extra, para a vaga deixada por Durigan na secretaria-executiva, o nome escolhido é Rogério Ceron, que atualmente comanda o Tesouro Nacional. Já a função no Tesouro deve passar para Daniel Leal, hoje subsecretário de Dívida Pública.
Ceron, inclusive, é um dos principais nomes por trás do chamado arcabouço fiscal, regra que substituiu o antigo teto de gastos e permite crescimento real das despesas. A movimentação reforça um ponto que já circula entre aliados: a tentativa de manter a linha econômica mesmo com a saída do ministro.
Durigan e Ceron, vale lembrar, têm ligação antiga com Haddad, desde a época em que ele foi prefeito de São Paulo. Já Daniel Leal é servidor de carreira e atua no Tesouro desde 2014, o que também pesa na leitura de continuidade dentro da equipe.
Mesmo com a nova formação praticamente definida, o cenário ainda pode ter novos capítulos. Existe a possibilidade de outras mudanças caso o presidente aceite indicações para cargos estratégicos, incluindo posições no Banco Central.