O autor Daniel Berlinsky avaliou a repercussão da nova adaptação de Dona Beja, exibida na plataforma HBO Max e também levada à TV aberta pela Band. A produção encerrou sua primeira fase com 40 capítulos e gerou debates sobre desejo, autonomia e papel social da protagonista. Segundo Berlinsky, o principal desafio foi atualizar a personagem sem perder sua força simbólica. Ao lado de António Barreira, o autor buscou afastar a figura de Ana Jacinta de São José de estereótipos e apresentá-la como uma mulher mais complexa.
Na avaliação dele, a conexão com o público veio justamente dessa abordagem. O autor afirma que a narrativa evitou simplificações e apostou em personagens com múltiplas camadas. Para ele, o engajamento da audiência foi além da audiência tradicional, com discussões nas redes e consumo em formato de maratona.
A trama acompanha a trajetória de Dona Beja, interpretada por Grazi Massafera, em conflito com Antônio, vivido por David Junior. O desfecho mantém a estrutura central da versão original, com o acerto de contas entre os personagens.
Uma das principais mudanças da adaptação está no tratamento da violência contra a protagonista. Diferente da versão exibida nos anos 1980, a nova leitura altera esse ponto da narrativa, buscando atualizar o debate sob uma perspectiva contemporânea.
O encerramento também preserva elementos clássicos da história, mas inclui reflexões mais diretas sobre temas como machismo e feminismo. Para Berlinsky, o eixo da trama está na discussão sobre autonomia individual.
“A história fala sobre quem decide o próprio destino, o próprio corpo e os próprios desejos”, resume o autor.
Produzida pela Floresta e licenciada pela Warner Bros. Discovery, a novela conta com roteiro assinado por Berlinsky e António Barreira, além de uma equipe de colaboradores. A direção geral é de Hugo de Sousa.
Com exibição no streaming e na TV aberta, a nova versão de Dona Beja ampliou o alcance da obra e reposicionou o clássico para uma nova geração de espectadores.