Faltando 30 dias para a grande final, o “BBB 26” parece ter decidido andar em círculos.
Não que falte barulho, movimento ou discussão. Pelo contrário. O elenco é bom, entrega, não foge de conflito, se posiciona e, claro, rende assunto e engajamento nas redes sociais.
Mas, dentro da casa, a sensação é de déjà vu.
É como ligar a TV e dar de cara com um capítulo que você jura já ter visto. E talvez tenha mesmo.
Milena, por exemplo, segue fiel ao seu estilo. As brincadeiras para desestabilizar os adversários continuam firmes, frequentes e, muitas vezes, passando do ponto. O que antes parecia estratégia, agora começa a soar forçado e até desagradável em alguns momentos.
Já Ana Paula e Alberto vivem um looping que parece não ter fim. Brigam pelos mesmos motivos, com as mesmas palavras, como se estivessem presos em um diálogo que nunca evolui. Ela o chama de “comedor de cérebro”, ele devolve, rotulando-a de manipuladora. Muda o dia, mas a discussão é a mesma.
Solange também segue nesse vai e vem curioso. Quando está ao lado de alguém que se impõe, ela cresce, aparece, fala mais, inclusive coisas delicadas que pediriam mais cuidado. Mas basta perder esse apoio para desaparecer no jogo. Volta a ser planta, se recolhe, como se apertasse o botão de desligar.
Chaiany, por sua vez, já assumiu sua personalidade mais “distraída”. Só que a repetição desse comportamento começa a levantar dúvida. Para parte do público, já não parece espontâneo, mas sim uma estratégia confortável para ocupar um lugar de vítima no jogo, evitando correr riscos.
Enquanto isso, Jordana e Marciele vivem uma montanha-russa. Aproximam-se, afastam-se, reatam, brigam. Uma amizade que gira, gira e nunca chega a lugar nenhum.
Os “Sincerões” também não ajudam. Os temas estão cada vez mais desinteressantes, do tipo “quem é o mais chato?”, como na última segunda-feira, em que todos, inclusive o apresentador, estavam particulamente muito chatos. São dinâmicas rasas que só empurram o reality de volta para o ponto de partida.
As provas seguem uma linha parecida. De vez em quando surge algo criativo, inovador. Mas, na maior parte do tempo, parecem versões diferentes de uma mesma ideia. Falta aquela sensação de que algo realmente pode mudar o rumo do jogo.
E aí entra um ponto importante: se não fosse um elenco disposto, essa edição correria um sério risco de naufragar. Afinal, certas situações, como mudanças de regra e falta de consistência, enfraquecem a competição.
A liderança é o maior exemplo disso. Jonas e Alberto se revezam no topo há semanas, e isso engessa completamente a dinâmica. O público já sabe quem eles vão indicar, quem vão proteger, quem vão vetar. Não há surpresa, não há tensão. Fica tudo previsível demais.
E talvez esteja aí um dos ajustes mais urgentes para o futuro: não faz mais sentido permitir lideranças consecutivas. O jogo precisa de renovação de poder para que novas estratégias sejam colocadas em prática. Do jeito que está, trava.
O “BBB 26” ainda tem fôlego, ainda tem um bom elenco. Porém, quando até a briga começa a soar repetida, é sinal de que o programa entrou num lugar perigoso: o da mesmice.
E reality show nenhum sobrevive muito tempo assim.