Em uma entrevista recente à Revista Quem sobre o peso de suas convicções e seus posicionamentos públicos, Juliano Cazarré detalhou as razões por trás de sua atual discrição em relação ao cenário político nacional. O artista, que nunca esquivou-se de expressar o que pensa, hoje prefere um perfil mais contido no ambiente digital.
Cazarré admite que sua imagem ficou atrelada a uma vertente ideológica específica, algo que, segundo ele, muitos colegas de profissão evitam por conveniência ou receio.
“Política, eu evito falar. Se você for pegar lá no meu Instagram, vai ver que tem muito pouco nos últimos anos. Mas eu fiquei marcado por ser uma pessoa que não é de esquerda”, desabafou à Quem.
Ele complementou analisando o comportamento nos bastidores: “É uma posição que pouquíssimos atores têm coragem de dizer, embora eu conheça vários que também não são, mas ficam na moita por medo da repercussão negativa, do cancelamento, de perder publicidade. Essa dimensão da política ocupa muito pouco espaço nas minhas redes sociais”, pontuou.
Apesar de buscar se distanciar de etiquetas simplistas, o ator foi enfático ao descrever o modelo de país que idealiza, criticando a estrutura burocrática e os privilégios da classe política brasileira.
“Eu só queria um país mais livre, um Estado que não gastasse tanto com mordomias e coisas inúteis, um Estado justo, que prendesse bandido e não soltasse”, afirmou categoricamente.
Para ele, o sistema atual inverte a lógica do serviço público. “Eu acredito em um país que é construído do povo para cima, onde cada pessoa tenha mais liberdade e poder para decidir sobre a própria vida. Um país onde os governantes trabalhem para o povo e não o contrário, como acontece no Brasil, em que toda a população sustenta uma casta de pessoas que tem uma vida muito diferente do resto do povo. A gente trabalha para sustentar o Estado, os benefícios, a estabilidade, os auxílios, as mordomias, as viagens, os congressos de uma classe de poderosos e eu acho isso muito ruim. Mas mesmo assim eu não falo de política o tempo todo”, explicou.
Sobre a recepção do público, Juliano faz uma distinção clara entre o "olho no olho" e o ambiente tóxico das redes sociais. Ele garante que o afeto que recebe nas ruas, especialmente por seu testemunho de fé, supera qualquer ruído virtual.
“Às vezes aparece alguém que não me conhece e faz algum comentário negativo. Mas o que me importa é que eu saio na rua todos os dias e só recebo carinho. Pessoas que gostam de mim, que gostam que eu fale de Deus”, celebrou.
O ator atribui a maior parte das hostilidades a perfis fakes e reforça que a polarização é um caminho limitante:
“Se tem alguma hostilidade, é sempre nas redes sociais, geralmente perfil falso. Com o tempo, a gente aprende a não ligar, a não levar para o coração. Eu tento falar menos de política porque tem pessoas que também não concordam com a minha visão política, mas me seguem e gostam do meu trabalho. Não quero ficar nessa briga de direita e esquerda o tempo todo. Acho isso estúpido. A vida é muito maior do que isso. Todo mundo tem muito mais coisa que aproxima do que afasta”, finalizou.