Doenças respiratórias como asma, rinite alérgica e sinusite fazem parte da rotina de milhões de brasileiros — inclusive de diversas celebridades. Ao tornarem seus diagnósticos públicos, esses nomes ajudam a ampliar a conscientização sobre sintomas, prevenção e, principalmente, novas possibilidades de tratamento.
Entre os famosos brasileiros que já relataram problemas respiratórios está a cantora Anitta, que convive com asma desde a infância e já precisou adaptar sua rotina por conta das crises. A também cantora Ludmilla revelou sofrer com alergias respiratórias, enquanto a apresentadora Xuxa Meneghel já falou sobre episódios recorrentes de sinusite. Outro exemplo é Fernanda Souza, que já mencionou quadros alérgicos que impactam diretamente sua qualidade de vida.
Esses relatos evidenciam uma realidade comum: embora muitas vezes tratadas apenas com medicamentos para alívio imediato, as doenças alérgicas respiratórias podem ter impacto crônico e progressivo quando não abordadas de forma adequada.
Tratamento que atua na causa da alergia
Segundo o médico alergista e imunologista Dr. Bruno Bastos, a imunoterapia com alérgenos (ITA) vem se consolidando como uma das principais alternativas terapêuticas para pacientes que buscam não apenas controlar, mas modificar a evolução da doença.
A imunoterapia é indicada principalmente para doenças como:
Diferente dos tratamentos convencionais, que aliviam sintomas, a ITA atua diretamente na causa da alergia.
“A imunoterapia é o único tratamento capaz de modificar a história natural das doenças alérgicas, induzindo uma tolerância imunológica duradoura”, explica o Dr. Bruno Bastos.
O tratamento é personalizado, baseado nos alérgenos específicos que desencadeiam as crises — como ácaros, pólen, pelos de animais e fungos.
Evidência científica reforça eficácia
Diversos estudos internacionais comprovam os benefícios da imunoterapia.
Um dos principais é o GAP Trial (Grazax Asthma Prevention), publicado no Journal of Allergy and Clinical Immunology (2018), que demonstrou que a imunoterapia sublingual reduziu significativamente o risco de desenvolvimento de asma em crianças com rinite alérgica.
Outro estudo relevante, publicado no Lancet Regional Health – Europe (2022), confirmou a eficácia sustentada do tratamento, com redução dos sintomas e menor necessidade de medicação.
Já uma revisão sistemática de grande impacto, publicada na revista Allergy (Dhami et al., 2017), analisou 160 estudos e comprovou:
Como funciona na prática
A imunoterapia é indicada após diagnóstico preciso feito por um alergista, com identificação dos alérgenos por meio de testes específicos.
O tratamento pode ser feito de duas formas:
A duração média é de 3 a 5 anos, período necessário para consolidar a tolerância imunológica e garantir resultados duradouros.
Acesso ainda é um desafio no Brasil
Apesar dos benefícios comprovados, o acesso à imunoterapia ainda é limitado.
Atualmente, o tratamento:
O tema segue em debate por órgãos como a CONITEC, que avalia a incorporação de novas tecnologias no sistema público.
Custo-benefício e qualidade de vida
Embora o custo inicial possa ser mais elevado, especialistas destacam que a imunoterapia apresenta excelente custo-benefício a longo prazo.
Entre os principais benefícios estão:
Por que a imunoterapia se destaca
Entre as vantagens em relação aos tratamentos tradicionais, destacam-se:
Para o Dr. Bruno Bastos, a imunoterapia representa uma mudança de paradigma no tratamento das doenças alérgicas.
“Estamos falando de uma abordagem que não apenas controla, mas pode transformar a vida do paciente. É uma oportunidade real de viver com menos sintomas e mais qualidade de vida.”