A administração do Retiro dos Artistas, tradicional casa de acolhimento para veteranos do entretenimento em situação de vulnerabilidade, manifestou-se na noite dessa última quarta-feira (25) acerca das queixas públicas de um de seus moradores: o intérprete Marcos Oliveira, eternizado pelo personagem Beiçola.
Localizada na Zona Oeste carioca, a entidade rebateu as críticas do ator sobre as dinâmicas de convivência e as restrições à vida íntima no local. Em nota oficial, a organização destacou sua trajetória centenária e o desafio de abrigar mais de 50 indivíduos simultaneamente. Segundo o texto, a gestão "exige diálogo constante para manter um ambiente de paz, harmonia e respeito — valores que sempre nos guiaram."
Sobre as declarações específicas de Oliveira, o Retiro adotou um tom de compreensão, mas firmeza:
"Sobre as recentes declarações do residente Marcos Oliveira, entendemos que foram infelizes e não refletem a realidade da maioria dos nossos residentes. Ainda assim, é importante reconhecer que nem toda pessoa que precisa de ajuda se sente confortável em estar em uma posição de vulnerabilidade. Precisar, aceitar e querer estar nessa condição são coisas diferentes, e isso também exige compreensão".
A entidade também sublinhou que a permanência no local é voluntária e que os residentes gozam de total autonomia: "Reforçamos ainda que todos os residentes possuem livre arbítrio para estar aqui, podendo ir e vir quando desejarem".
O desabafo de Oliveira, concedido originalmente à revista Veja, tocou em pontos sensíveis da terceira idade, como o desejo e a solidão. O ator criticou a visão social de que a libido desaparece com o tempo:
"A gente, que é mesmo que é velho, a sexualidade existe. No inconsciente, à noite, você tem desejos, entendeu? Sexuais noturnos. E isso não se toca no assunto, porque velho é para não sentir mais prazer, para não ter mais relação. Aí fica aquela coisa. Não quero que seja... um sexo Cirque du Soleil, entendeu? Que sobe, desce. Não, mas é uma troca de carinho, uma troca de alguma coisa, e aqui não pode ter isso", destacou.
Além da questão sexual, o ator demonstrou certa desconexão com os demais colegas, queixando-se do ruído durante as refeições e do foco excessivo em memórias antigas:
"Viver aqui é ótimo. Só que tem que se adaptar. Na hora da refeição, eles fazem comentários e só falam sobre o passado, e eu não estou no passado", concluiu.
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