O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), defendeu o avanço de concessões e parcerias público-privadas (PPPs) como ferramentas para ampliar investimentos e melhorar a prestação de serviços nas cidades brasileiras. Durante participação no terceiro ciclo de debates Eloos Itatiaia, que discutiu o tema Cidades e Infraestrutura, Nunes afirmou que a troca de experiências entre gestões municipais pode ajudar a acelerar soluções já testadas com bons resultados em diferentes regiões do país.
Segundo o prefeito, a integração entre administrações locais é importante para que projetos bem-sucedidos sejam replicados e adaptados à realidade de outras cidades. Como exemplo, ele citou o interesse de outros gestores em iniciativas implementadas na capital paulista, como o sistema de monitoramento por câmeras Smart Sampa.
“É importante que as cidades conversem entre si e compartilhem o que já deu certo. Isso evita desperdício de tempo e permite que boas experiências cheguem mais rápido à população”, afirmou.
Ao defender a ampliação das concessões, Nunes citou o caso do Parque Ibirapuera como uma das experiências mais bem avaliadas da cidade. Segundo ele, antes da concessão, a Prefeitura desembolsava cerca de R$ 23 milhões por ano apenas com limpeza e segurança do espaço.
Com a transferência da gestão para a iniciativa privada, o parque continuou sendo público, mas passou a operar com custos reduzidos para o município e, segundo o prefeito, com melhora na percepção dos frequentadores.
De acordo com Nunes, a aprovação do serviço no local chegou a 92%, resultado que ele atribui ao novo modelo de gestão.
Na avaliação do prefeito, as PPPs e concessões cumprem dois papéis centrais: atrair recursos que o poder público muitas vezes não consegue mobilizar sozinho e, ao mesmo tempo, exigir uma gestão mais orientada a desempenho.
Ele afirmou que o principal foco da discussão não deve ser ideológico, mas prático. Para Nunes, o debate precisa girar em torno da qualidade do serviço entregue ao cidadão, e não apenas sobre o modelo de gestão adotado.
“Não adianta discutir se alguém é contra ou a favor de PPP ou concessão. O que precisa ser analisado é se o serviço melhorou, se a cidade avançou e se a vida das pessoas ficou melhor”, defendeu.
Ao citar outros exemplos, o prefeito também mencionou a privatização da Sabesp, conduzida pelo governo estadual, como uma medida que, segundo ele, pode acelerar metas de universalização do saneamento básico em São Paulo.
Nunes afirmou que a expectativa é antecipar para 2029 o atendimento integral em abastecimento de água e coleta de esgoto nas cidades atendidas pela companhia.
Ele citou o caso de Guarulhos, que, segundo disse, tinha menos de 10% do esgoto tratado em anos anteriores e hoje já teria alcançado 62%, com previsão de universalização até o fim da década.
A fala de Ricardo Nunes reforça uma linha que a Prefeitura de São Paulo tem adotado em diferentes áreas da administração: usar a bandeira da eficiência e da modernização da máquina pública para justificar a ampliação de contratos com a iniciativa privada.
Ao defender esse modelo em um evento voltado à infraestrutura urbana, o prefeito também reforça um discurso que dialoga com empresários, investidores e gestores públicos em um momento em que grandes centros urbanos buscam alternativas para financiar expansão de serviços e obras.