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Lula cita gastos com cães e comete gafe sobre chineses: “Não devem ter esse problema”
Em um diálogo com Zhu Huarong, executivo de uma fabricante chinesa de veículos, o mandatário ironizou que os orientais talvez não enfrentem “esse problema”
27/03/2026 11h17
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Presidente Lula - Reprodução: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Durante a reinauguração do parque fabril da montadora de veículos Caoa, em Anápolis (GO), nessa última quinta-feira (26), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva compartilhou reflexões sobre o aumento dos cuidados e gastos das famílias brasileiras com seus cachorros. Em um diálogo com Zhu Huarong, executivo de uma fabricante chinesa de veículos, o mandatário ironizou que os orientais talvez não enfrentem “esse problema”.

“Meu caro Zhu, na China não deve ter esse problema, mas aqui no Brasil nós gostamos muito de cachorro”, declarou o presidente.

Relembrando sua trajetória pessoal, Lula mencionou o período em que dividia uma residência de apenas 33 m² com sua falecida esposa, Marisa Letícia, a sogra, três filhos e duas cadelas. “Tive uma dálmata que deu 11 filhotes e que tinha que dar mamadeira porque as tetinhas dela não davam para amamentar tudo. Eu levantava de noite para dar”, recordou.

O chefe do Executivo destacou como o padrão de cuidado com os pets evoluiu, demandando gastos frequentes com higiene, saúde e bem-estar que impactam diretamente a renda. “Agora, não. Agora os cachorrinhos têm que dormir com a gente, têm que estar limpinhos, dar banho uma vez por semana, levar no veterinário. E tudo isso é um sequestro do nosso salário e a gente só se dá conta no final do mês”, observou.

Essa analogia serviu para ilustrar o cenário de endividamento e a redução do poder aquisitivo no país. Lula também demonstrou preocupação com as tensões geopolíticas no Oriente Médio, questionando como o conflito no Irã reflete nos preços internos, especialmente devido à dependência de 30% da importação de óleo diesel: “Não é possível. O Irã está a 15 mil quilômetros de distância do Brasil. Por que tem que fazer guerra lá e sobrar para nós? Eu não tenho nada a ver com a guerra no Irã, mas vai sobrar para nós”.

Medidas Econômicas e Aliança com Pequim

Para suavizar o superendividamento apontado em levantamentos recentes do Serasa, o governo articula mudanças no custo do crédito rotativo. Ministros como Sidônio Palmeira (Secom) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) buscam estabelecer um teto para as cobranças nos cartões de crédito.

No campo das relações externas, o petista reforçou a importância estratégica do gigante asiático para o desenvolvimento tecnológico nacional. Dirigindo-se a Zhu Huarong, ele afirmou que a nação oriental é “o melhor parceiro” econômico do Brasil:

“Se tiver no país mais empresários na qualidade de vocês, tão jovens e comprometidos, e ainda arrumarem um sócio chinês para trazer tecnologia, certamente não teremos problemas. Vim aqui te dar parabéns, a China é o melhor parceiro do Brasil”.