Em entrevista com a TV Record baiana nesta quinta-feira (2), o chefe do Executivo, Luiz Inácio Lula da Silva, abordou os reflexos das tensões globais na economia brasileira. Ele garantiu empenho total para blindar os cidadãos brasileiros de crises externas, mencionando que a gestão está “fazendo todo o possível para que a guerra irresponsável do Irã não chegue ao povo”.
Lula utilizou o espaço para assegurar estabilidade nos preços básicos, contrastando a realidade atual com promessas estrangeiras não cumpridas.
"Agora, a guerra continua. O Trump disse que ia acabar num dia, mas não acabou. Estamos fazendo todo o possível para que a guerra irresponsável do Irã não chegue ao povo. Não vamos permitir que chegue no bolso do caminhoneiro e da dona de casa. O preço do gás não vai subir", afirmou o petista.
O presidente reforçou a urgência de reformar as competências constitucionais para que o Palácio do Planalto tenha maior protagonismo no combate às facções. Atualmente, ele considera a atuação federal limitada ao suporte financeiro, o que julga insuficiente.
"O papel do governo federal na segurança pública é muito restrito, basicamente repassar dinheiro, e é pouco diante da necessidade dos estados. Quando a PEC for aprovada, a gente vai saber qual é o papel da União, da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e o que precisa ser feito".
Lula caracterizou o momento atual como um confronto direto contra as estruturas criminosas, exigindo agilidade:
"Nós estamos numa guerra contra o crime organizado. A gente não pode esperar. É preciso ter uma ação mais efetiva, mais coordenada, para chegar nessas organizações", enfatizou.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em pauta visa dar força à Polícia Federal em inquéritos que cruzam fronteiras estaduais e nacionais. Embora já aprovada pelos deputados, a medida enfrenta resistência no Senado, onde aguarda movimentação de Davi Alcolumbre na CCJ.
Um dos pontos altos da estratégia governamental é a captura de investigados que se refugiam no exterior. Lula revelou ter pressionado o republicano Donald Trump para que colabore na repatriação de suspeitos de crimes financeiros e sonegação.
"Nós queremos essa pessoa no Brasil. É para combater o crime organizado? Então nos entregue os nossos bandidos".
O alvo emblemático dessa ofensiva é o empresário Ricardo Magro, da Refit. Segundo o petista, as informações precisas já foram enviadas às autoridades americanas:
"Essa pessoa mora em Miami. Nós mandamos para o presidente Trump a fotografia da casa dele, o nome dele. E nós queremos essa pessoa no Brasil", afirmou.
Lula cumpre agenda em Salvador ao lado do governador, Jerônimo Rodrigues e de Rui Costa (Casa Civil). O foco da visita são os aportes do Novo PAC, que somam R$ 1,52 bilhão para o metrô soteropolitano, além de vistorias no VLT e obras de infraestrutura em encostas, visando mitigar riscos em áreas vulneráveis da capital.