A empresa 99 informou à Prefeitura de São Paulo que desistiu de operar o serviço de mototáxi na capital paulista. A decisão foi comunicada durante uma reunião com o prefeito Ricardo Nunes (MDB), realizada nesta quarta-feira (1º), em meio ao endurecimento das regras para esse tipo de transporte na cidade.
Segundo a administração municipal, a empresa decidiu não seguir com o credenciamento para o transporte de passageiros por motocicleta após a sanção da nova legislação que regulamenta a atividade em São Paulo. A avaliação do setor é de que as exigências impostas pelo município tornaram a operação mais restrita.
As novas regras para o mototáxi foram sancionadas por Ricardo Nunes em dezembro de 2025 e estabeleceram uma série de condições para a atuação das plataformas na capital.
Entre as exigências previstas estão:
Nos bastidores, a leitura é que o novo modelo regulatório reduziu a viabilidade da operação para as empresas interessadas em explorar esse mercado na cidade.
Ao comentar a decisão, Ricardo Nunes afirmou que a posição da Prefeitura sempre esteve baseada em critérios técnicos e na preocupação com a segurança viária.
Segundo o prefeito, a cidade já convive com alto número de acidentes envolvendo motocicletas, o que também pressiona a rede pública de saúde.
“A cidade é complexa, e nossa preocupação é com a segurança do motoqueiro e do passageiro”, afirmou.
Nunes também disse considerar positiva a decisão da empresa de não avançar com o serviço neste momento.
Apesar de recuar no mototáxi, a 99 sinalizou que pretende manter a interlocução com a gestão municipal e continuar discutindo possíveis frentes de atuação na cidade.
De acordo com a Prefeitura, durante a reunião o CEO da empresa, Simeng Wang, demonstrou disposição para seguir em diálogo com o poder público e avaliar novas formas de parceria.
Uma das propostas apresentadas pela companhia foi a criação de um ponto de apoio para motociclistas no município.
Com a desistência do mototáxi, a tendência é que a 99 concentre seus investimentos em outras frentes de operação já existentes na capital.
A empresa informou que deve priorizar serviços como:
A movimentação ocorre em um momento de disputa entre plataformas, governos locais e categorias profissionais em torno da expansão dos serviços de transporte por motocicleta em grandes centros urbanos.
A discussão sobre o uso de motos por aplicativos para transporte de passageiros continua avançando em diferentes cidades brasileiras, mas segue cercada de controvérsia.
Enquanto algumas capitais caminham para regulamentar o serviço, São Paulo adota uma linha mais restritiva, sob o argumento de segurança pública e redução de riscos no trânsito.
A decisão da 99, portanto, representa um revés para a expansão do mototáxi na maior cidade do país e reforça a resistência da gestão municipal ao modelo.