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Relator do caso Master, Mendonça recebe homenagem em evento com Tarcísio
O ministro ocupa o centro do debate público por comandar as apurações dos dois maiores escândalos contemporâneos da nação
06/04/2026 10h25
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Ministro André Mendonça - Reprodução: Gustavo Moreno/STF

Responsável por conduzir os inquéritos que envolvem o Banco Master e o INSS, o magistrado da Suprema Corte, André Mendonça, será condecorado nesta segunda-feira (6). A solenidade ocorrerá na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), contando com o prestígio de figuras políticas de peso, entre elas o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O ministro ocupa o centro do debate público por comandar as apurações dos dois maiores escândalos contemporâneos da nação. Escolhido para o cargo por Jair Bolsonaro (PL), suas movimentações jurídicas têm sido amplamente exploradas pela ala bolsonarista. O movimento ocorre apesar de as tramas envolverem nomes de diversas vertentes políticas, inclusive aliados da gestão anterior.

Na Alesp, Mendonça receberá o Colar da Honra ao Mérito Legislativo, honraria proposta pelo parlamentar federal Oseias de Madureira (PL), que compartilha da mesma fé cristã do homenageado. O evento, previsto para iniciar às 19h, reunirá a cúpula dos três poderes do estado de São Paulo: além de Tarcísio, confirmaram presença André do Prado (PL), comandante do Legislativo paulista, e o desembargador Francisco Eduardo Loureiro, à frente do Tribunal de Justiça (TJSP).

As frentes investigativas sob tutela de Mendonça tornaram-se ferramentas de desgaste para os principais opositores do grupo direitista: o ministro Alexandre de Moraes e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Medidas recentes, como o decreto de prisão do investidor Daniel Vorcaro e o levantamento da confidencialidade bancária e tributária de Lulinha, impulsionaram a narrativa bolsonarista.

Tecnologia e Narrativa Digital

A repercussão ganha contornos visuais com o uso de inteligência artificial. Renato Bolsonaro, irmão do ex-mandatário, difundiu um vídeo gerado por Inteligência Artificial (IA) no qual Moraes e Vorcaro aparecem caminhando juntos, momento em que o relator do processo do Banco Master surge portando algemas diante de uma viatura policial.

A exposição positiva de Mendonça também é fomentada por canais de grande engajamento. A página Tarcísio Governador, que possui uma audiência de 1,8 milhão de usuários, repercutiu a notícia sobre o incremento na escolta pessoal do ministro durante as investigações do Master, acompanhada da legenda: “Que Deus proteja o Mendonça e sua família! #jairbolsonaro”.

Inversamente, Moraes, que atuou na condenação de Bolsonaro por tramas golpistas, encontra-se agora sob escrutínio. O foco recai sobre um suposto diálogo mantido com Vorcaro durante as apurações e um contrato de R$ 129 milhões firmado entre a instituição financeira Master e o escritório de advocacia de sua cônjuge, Viviane Barci Moraes.

Conexões Transversais

Embora as descobertas afetem adversários, o caso do Master também alcança o entorno do ex-presidente. Em registros da Polícia Federal (PF), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) é citado por Vorcaro como um “grande amigo”, comemorando inclusive uma alteração legislativa proposta pelo parlamentar que favoreceria o banco. Adicionalmente, Fabiano Zettel, parente de Vorcaro, figurou como o principal financiador das campanhas de Bolsonaro e Tarcísio, destinando-lhes R$ 3 milhões e R$ 2 milhões, respectivamente.

Do lado governista, a defesa é de que o esquema foi desarticulado sob a gestão Lula, com o Banco Central intervindo no Master durante a passagem de Gabriel Galípolo pela vice-presidência da autarquia. Nesse cenário, a oposição vê na figura do ministro “terrivelmente evangélico” uma garantia de que o processo, que soma desvios bilionários, não estagnará, especialmente após o afastamento de Dias Toffoli da relatoria.

O Caso Previdenciário

Quanto ao INSS, onde as irregularidades perpassam diferentes governos, o Planalto enfrenta um cenário complexo. O primogênito do atual mandatário, Lulinha, é o foco de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga sua proximidade com Antonio Carlos Camilo Antunes, o influenciador conhecido como “Careca do INSS”.

Ambos realizaram uma expedição a Portugal para visitar uma unidade de produção de cannabis para fins terapêuticos. Lulinha sustenta que não houve a concretização de negócios, apesar da companhia do lobista na viagem.

A PF examina anotações de Antunes que mencionam o repasse de R$ 300 mil ao “filho do rapaz”. Um antigo colaborador do lobista afirmou aos investigadores que o montante era destinado ao filho do presidente por meio de uma companhia lusa. A defesa de Lulinha nega veementemente qualquer participação nos episódios apurados pela comissão.

Na condição de relator, Mendonça deferiu o acesso aos dados sigilosos de Lulinha. A decisão foi celebrada por parlamentares como Bibo Nunes (PL-RS), que postou uma montagem dos dois com a frase: “pegaram ‘o filho do rapaz’”. Em contrapartida, apoiadores do governo acusam o ministro de articular uma espécie de nova Operação Lava Jato, apontando um suposto viés punitivista contra o campo progressista.