O clima político em Brasília voltou a ferver nesta segunda-feira (6/4). O deputado federal Lindbergh Farias (PT) protocolou um pedido de prisão preventiva contra Eduardo Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF). A movimentação ocorre após Eduardo declarar que pretende denunciar autoridades do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ao governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, caso identifique o que chama de "irregularidades" no processo eleitoral brasileiro.
Para o parlamentar do PT, a postura de Eduardo não é um fato isolado, mas uma tentativa deliberada de usar o apoio externo para emparedar as instituições do Brasil. Na representação enviada à Suprema Corte, Lindbergh argumenta que o aliado de Jair Bolsonaro mantém uma tática de confronto direto com a democracia.
"Eduardo não recuou e segue apostando na mesma estratégia de constranger instituições brasileiras com apoio externo, agora com foco direto no processo eleitoral", afirmou Lindbergh, sustentando que o cenário exige uma resposta enérgica do Judiciário.
O estopim para a ação foi uma entrevista onde Eduardo Bolsonaro afirmou que as autoridades do TSE poderiam sofrer sanções norte-americanas. Ele se colocou como o canal direto para essas denúncias, mencionando inclusive o uso de aplicativos de mensagem para comunicações em tempo real com Washington durante a corrida eleitoral que envolve o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro. "Sim, estarei atento, farei as minhas denúncias quando entender pertinentes. E que Deus ilumine a cabeça das autoridades americanas para entender e adotar as providências", disparou Eduardo.
Além do pedido de prisão, a peça jurídica de Lindbergh Farias solicita que o caso seja encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal (PF). O objetivo é aprofundar as investigações sobre possíveis ataques à soberania nacional e ao Judiciário. "Não se pode admitir que um réu instrumentalize a fuga para o exterior como plataforma de ataque contra a soberania nacional, o Judiciário e a democracia brasileira", concluiu o petista na representação.