Nos bastidores da articulação presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), uma queda de braço estratégica sobre a composição da chapa revela uma divisão clara dentro da direita brasileira.
De um lado, o chamado "setor raiz" do bolsonarismo impõe forte resistência à senadora Tereza Cristina (PP). Embora ela seja a aposta de Valdemar Costa Neto e a favorita dos partidos do Centrão, o círculo íntimo do senador busca uma alternativa que garanta fidelidade absoluta ao "filho 01".
A busca é por uma configuração que remeta ao modelo adotado por Lula em 2002 com o empresário José Alencar. Nas palavras de um interlocutor próximo ao parlamentar, o objetivo é encontrar "um vice que vá dar paz".
Essa precaução nasce das experiências passadas de Jair Bolsonaro. Em 2018, a relação com Hamilton Mourão foi marcada por atritos e suspeitas de traição. Já em 2022, a opção por Braga Netto visava um "seguro-impeachment", fundamentado na ausência de base política própria do general no Legislativo.
Dentro dessa lógica, o nome de Romeu Zema (Novo) surge como uma "solução mais simples". Para a ala ideológica, o ex-governador mineiro é ideal por não estar atado às engrenagens do Centrão. Por outro lado, a rejeição a Tereza Cristina se intensificou após sua recente viagem aos Estados Unidos para discutir tarifas, movimento que teria provocado a ira de Eduardo Bolsonaro.
Enquanto a senadora mantém o prestígio com o mercado financeiro e o agronegócio por ser considerada equilibrada, o grupo de Flávio pondera o que cada um traz à mesa em termos de tempo de propaganda e recursos. Zema oferece o trunfo de Minas Gerais, o segundo maior reduto de votos do Brasil, mas ainda gera dúvidas sobre sua real capacidade de transferência eleitoral.
Apesar das especulações, Zema emitiu um comunicado nessa última segunda-feira (6) descartando qualquer sondagem e reafirmando sua independência na disputa.
"Respeito os outros pré-candidatos de direita, mas vou levar minha candidatura até o final", pontuou. "Não recebi nenhum convite. Nem tenho interesse. Nós de direita temos o objetivo comum de derrotar o Lula e tirar o PT do poder. Estaremos juntos no segundo turno. Mas até lá vou seguir meu próprio caminho", sentenciou o político mineiro.