O chefe do Executivo, Luiz Inácio Lula da Silva, revelou nesta quarta-feira (8) ter alertado o ministro Alexandre de Moraes, do STF, para que o escândalo envolvendo o Banco Master não acabasse com a sua “biografia histórica”, consolidada durante a condução dos processos relativos aos ataques de 8 de janeiro. A fala ocorreu em uma entrevista ao veículo ICL.
Lula foi direto ao relatar o diálogo com o magistrado: "Não permita que esse caso do Vorcaro jogue fora a tua biografia". O petista sugeriu que Moraes deveria adotar uma postura de transparência e declarar suspeição em pautas ligadas à entidade financeira de Daniel Vorcaro, visto que sua esposa, Viviane Barci de Moraes, prestou serviços advocatícios à instituição.
Segundo o presidente, a orientação dada foi: "Se a sua mulher estava advogando, diga textualmente: 'a minha mulher estava advogando, minha mulher não tem que pedir licença, e eu só prometo que aqui na Suprema Corte, no caso da minha mulher, eu me sentirei impedido de votar".
Registros indicam que o escritório de Viviane obteve R$ 80,2 milhões do Master entre 2024 e 2025, com honorários mensais vultosos. A defesa da advogada, contudo, pontuou que "não confirma essas informações incorretas e vazadas ilicitamente, lembrando que todos os dados fiscais são sigilosos". Somam-se ao caso pelo menos oito viagens do casal Moraes em jatos particulares de uma firma conectada a Vorcaro no segundo semestre de 2025.
Lula direcionou sua artilharia contra o ex-comandante do Banco Central, Roberto Campos Neto, chamando-o de “serpente que pôs o ovo” do caso Master. Ele contrastou gestões anteriores, afirmando que "O Ilan Goldfajn, que era presidente do Banco Central, recusou reconhecer o Banco Master. O Roberto Campos legalizou o Banco Master".
O presidente vinculou a origem das irregularidades à administração passada, citando Paulo Guedes e outros ex-ministros. "E todas as falcatruas que vêm na asa genealógica do Banco Master têm quem? O governo Jair Bolsonaro, o Paulo Guedes e os ministros deles", disparou, completando que a culpa de Campos Neto é evidente: "Só você mostrar que você vai perceber que é uma tentativa de esconder qual é a serpente que pôs o ovo. É o Roberto Campos".
O mandatário defendeu punições severas para que o combate ao desvio de conduta tenha caráter educativo e todos venham a "pagar o preço". Ele também desqualificou a CPI do INSS, acusando-a de ser um palco para autopromoção eleitoral: "Eles tentaram fazer uma briga política, porque são dois candidatos a senador, o relator e o presidente. E tentaram envolver todo mundo do nosso lado".
Lula sinalizou não se opor a uma investigação parlamentar sobre o Banco Master, desde que o foco alcance a diretoria do Banco Central, mas demonstrou ceticismo sobre a colaboração premiada de Vorcaro, alertando que tais acordos podem ser comerciais.