O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom contra o mercado de apostas online nesta quarta-feira (8), afirmando que, por sua vontade pessoal, encerraria as operações das "bets" no Brasil. Em entrevista ao ICL Notícias, o mandatário demonstrou preocupação com o impacto das plataformas no orçamento das famílias brasileiras e classificou a situação como uma "jogatina desenfreada". Lula ressaltou que a continuidade do setor está atrelada ao Congresso Nacional, mencionando a influência de partidos e parlamentares que dão sustentação ao lobby das casas de apostas.
A fala de Lula expõe um dilema dentro do governo. Se por um lado o presidente critica o impacto social, por outro, a regulamentação do setor tornou-se uma fonte de receita crucial para o Estado. Somente em 2025, o governo arrecadou R$ 9,95 bilhões com a tributação das empresas de apostas, direcionando esses recursos para áreas prioritárias como educação, saúde e segurança pública. A mudança de postura indica que o Executivo pode buscar novas formas de restrição, mesmo diante da dependência desses recursos.
No Congresso, a bancada do PT já discute caminhos práticos para responder à preocupação presidencial. As propostas em estudo variam entre o aumento agressivo da tributação para desestimular o consumo e até a proibição total das plataformas. O debate agora se concentra em encontrar uma solução que freie o endividamento da população sem empurrar o mercado de volta para a ilegalidade internacional, onde o governo perderia qualquer capacidade de fiscalização e arrecadação.