A Receita Federal encaminhou à CPI do Senado, que investiga o crime organizado, documentos que indicam que o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, pertencente à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, recebeu R$ 80,2 milhões do Banco Master. A informação, divulgada inicialmente pela CNN e pela Folha de S. Paulo, detalha que o montante foi repassado ao longo de 2024. Os dados foram extraídos das declarações de Imposto de Renda da própria instituição financeira, que atualmente está no centro de uma investigação da Polícia Federal sobre fraudes que podem chegar a R$ 17 bilhões.
Em nota oficial, o escritório de Viviane Barci de Moraes contestou veementemente a divulgação dos valores, classificando o ato como um vazamento ilícito de dados sigilosos e não confirmou as cifras citadas. Anteriormente, a banca já havia admitido a prestação de serviços ao Banco Master, descrevendo o trabalho como uma "ampla consultoria jurídica" que envolveu uma estrutura robusta de 15 advogados, subcontratações de outros escritórios e dezenas de reuniões presenciais na sede da instituição. Na ocasião, o valor dos honorários não havia sido revelado sob a justificativa de sigilo profissional.
O Banco Master, origem dos recursos, atravessa uma crise profunda e teve sua liquidação decretada após o avanço da Operação Compliance Zero. O administrador da instituição, Daniel Vorcaro, encontra-se preso desde março e negocia um acordo de delação premiada. Segundo a Polícia Federal e o Banco Central, o banco operava um esquema de pirâmide financeira, atraindo investidores com taxas insustentáveis de até 140% do CDI, enquanto mascarava rombos contábeis por meio de operações trianguladas com a gestora Reag Investimentos.
O impacto da queda do Banco Master atinge cerca de 1,6 milhão de clientes e deve gerar o maior resgate da história do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), estimado em R$ 41 bilhões. Enquanto correntistas buscam o ressarcimento limitado a R$ 250 mil, a investigação política na CPI busca agora entender a profundidade das relações institucionais do banco e se os pagamentos a escritórios de advocacia de figuras públicas guardam relação com a tentativa da instituição de burlar órgãos de controle antes do colapso final.