A designer gráfica e ativista feminista, Isabella Alves Cêpa, iniciou uma ação judicial por calúnia e injúria contra a parlamentar, Erika Hilton (PSol). A queixa fundamenta-se em declarações da deputada que a descreveram como “criminosa”, “fracassada” e estabeleceram paralelos entre sua conduta e a ideologia nazista.
O conflito remonta a 2020, quando Isabella, então influenciadora digital, manifestou descontentamento com o resultado das eleições municipais paulistanas, afirmando que a candidata ao legislativo mais votada na ocasião “era um homem”.
De acordo com o documento jurídico protocolado:
“A querelada [Erika Hilton] iniciou a perseguição judicial contra a querelante [Isabella Cêpa] por discordâncias acadêmicas sobre o feminismo materialista. Tal histórico demonstra que a fala ofensiva proferida em 02 de março de 2026 é apenas o desdobramento de uma animosidade pretérita e privada, desprovida de vinculação com a atividade legislativa”.
Anteriormente, Hilton tentou responsabilizar Cêpa por transfobia em instâncias superiores e na Justiça Federal. Contudo, em agosto de 2025, o inquérito foi encerrado pela 7ª Vara Federal de São Paulo. No mês seguinte, o Supremo Tribunal Federal (STF) também julgou improcedente a reclamação da deputada.
A defesa da feminista sustenta que, no momento das novas ofensas, a designer gozava de plena idoneidade jurídica:
“Portanto, em março de 2026, a querelante ostentava o status jurídico de absoluta inocência, com decisões transitadas em julgado que atestavam a licitude de seu comportamento. Não havia processo em curso, condenação pretérita ou qualquer título jurisdicional que permitisse rotulá-la como infratora”.
Em participação no programa “20 minutos”, no YouTube, a deputada federal reafirmou suas críticas de forma incisiva. Hilton argumentou que as opiniões de Isabella ignoram o entendimento do Supremo sobre o tema:
“Essa menina é uma criminosa, porque o Supremo Tribunal Federal já tem a sua decisão acerca do que é a transfobia. Se você comete transfobia, você é criminosa, você comete um crime que inclusive é equiparado ao crime de racismo. A sua crença, o que você acredita, não pode embasar os seus comportamentos na sociedade”, afirmou ela.
A parlamentar ainda comparou o exercício de crenças pessoais discriminatórias a grupos extremistas e regimes totalitários:
“A Ku Klux Klan acreditava que negros eram inferiores. Hitler tinha uma crença de que judeus eram inferiores. Isso não pode servir de instrumento para suas relações pessoais. O que você acredita tem que ficar no mínimo dentro da sua cabeça ou no máximo dentro da sua própria casa (...) O que esta moça comete é crime e será processada ela e todas as outras ou outros que praticarem crimes. Nós não podemos nos basear nas nossas próprias crenças, porque se nós nos basearmos nas nossas próprias crenças, o nazismo está autorizado, o racismo está autorizado”.
Cêpa optou por acionar a justiça comum paulista, alegando que os ataques não possuem nexo com o trabalho parlamentar de Hilton, o que descartaria o foro privilegiado no STF. Segundo a designer, a deputada estaria “abusando de sua visibilidade para retaliar uma pesquisadora cujo pensamento a desagrada”.
Atualmente, Isabella vive sob asilo político na Europa, concedido em junho de 2025 após o governo local identificar perseguição política no Brasil. O processo de acolhimento, sigiloso, foi mediado pela Agência da União Europeia para o Asilo (EUAA).
A designer relata ter sofrido graves intimidações após suas falas viralizarem:
“Recebi e-mails não rastreáveis de gente falando o nome e o endereço da minha mãe, dizendo que iam fazer coisas com ela. Várias pessoas me ameaçaram de estupro e de morte. Foram muitas ameaças. Registrei queixa contra a editora, mas a Polícia Civil entendeu que era só uma ‘treta de blogueiras’ e arquivou o inquérito”, revelou.