Diante de sinais de fragmentação entre os evangélicos sobre o suporte à sua pré-candidatura, o senador Flávio Bolsonaro (PL) articula uma jornada pelas principais vertentes religiosas do Brasil. A estratégia visa consolidar sua base eleitoral e garantir o favoritismo no pleito presidencial.
O alerta no QG bolsonarista acendeu em 30 de março, quando o bispo Samuel Ferreira, expoente do Ministério de Madureira, declarou apoio a Ronaldo Caiado (PSD). O anúncio, feito por vídeo na cerimônia do goiano, surpreendeu aliados, já que parlamentares da mesma congregação haviam acabado de migrar para o PL, sugerindo um alinhamento com Flávio.
Para conter danos, o "filho 01" iniciou visitas estratégicas. No dia 6 de abril, esteve na Assembleia de Deus Ministério do Belém, onde recebeu as bênçãos do pastor José Wellington. A agenda é organizada pelo deputado Sóstenes Cavalcante, que utiliza dados demográficos para evitar ciúmes entre os líderes:
“Eu fiz um trabalho para a aproximação do Flávio com o segmento, por ordem de tamanho e de grandeza. Eu peguei todo o planejamento e falei: ‘vamos sentar com cada um desses líderes denominacionais’. O Bolsonaro, da vez passada, até se encontrou com eles, mas como não parametrizou pelos dados do IBGE, o que acontecia é que, às vezes, ela ira num líder menor e aí o líder maior ficava enciumado”, afirmou Sóstenes ao Metrópoles.
As próximas paradas incluem:
Igreja do Evangelho Quadrangular: Terceira maior força do país.
Igreja Batista: Representando o setor tradicional.
Congregação Cristã: Segunda maior pentecostal, conhecida por sua estrutura descentralizada.
Vitória em Cristo: Encontro marcado para 3 de maio com Silas Malafaia.
Apesar do otimismo de Malafaia, que minimiza a força de Caiado frente à Convenção Geral, o clima nos bastidores é de cobrança. Há queixas sobre a suposta distância de Flávio com representantes do setor, interpretada por alguns como soberba.
“Não sei o que pode acontecer daqui para frente, mas tem um versículo na Bíblia que diz que a arrogância precede a ruína. A pessoa acha que já está tudo ganho e não está”, disse ao Metrópoles um membro da bancada evangélica.
O clima pesou na Assembleia do Belém quando o deputado Marco Feliciano confrontou Flávio publicamente, cobrando acordos sobre candidaturas ao Senado em São Paulo que não estariam sendo honrados pelo PL.
Analistas enxergam que o Ministério de Madureira adota uma tática de "equilíbrio múltiplo":
Direita: Mantém deputados no PL de Flávio.
Centro: Apoia Caiado e Kassab, visando espaços em Goiás.
Esquerda: Flerta com o governo Lula ao endossar Jorge Messias para o STF.
Enquanto Messias era homenageado na Alesp em evento de Oséias de Madureira, Flávio optou por um jantar empresarial. Ainda assim, interlocutores como Sóstenes garantem que o senador não deixará de visitar a sede de Ferreira para tentar reverter o cenário.