Notícias Entenda o caso
CPI do Crime Organizado aponta indícios de exploração sexual em festas de Daniel Vorcaro
De acordo com as evidências, o banqueiro tratava tais ocasiões como parte estratégica de sua rede de influência
14/04/2026 10h47
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Daniel Vorcaro - Reprodução: Banco Master/Divulgação

O desfecho das investigações da CPI do Crime Organizado, protocolado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) nesta terça-feira (14), revela suspeitas gravíssimas de exploração sexual em festas organizadas por Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. O relatório indica que o próprio empresário teria confessado a promoção de centenas de festividades com a presença de autoridades do governo.

De acordo com as evidências, o banqueiro tratava tais ocasiões como parte estratégica de sua rede de influência. O relatório destaca:

“O próprio Vorcaro admitiu, em mensagens trocadas com sua então noiva Martha Graeff, que as festas faziam parte de seu ‘business’ e que teria organizado cerca de 300 eventos desse tipo”.

As informações vieram à tona após a análise de dados telemáticos obtidos pela CPMI do INSS. O material inclui um vasto acervo digital que detalha a logística de captação de mulheres no exterior para essas recepções.

“A CPMI do INSS, que também apurou aspectos do caso, obteve acesso a aproximadamente 400 gigabytes de arquivos extraídos do celular e do armazenamento em nuvem de Vorcaro, incluindo vídeos de teor íntimo, imagens de passaportes de mulheres estrangeiras — inclusive europeias — e registros de festas privadas em Brasília e em Trancoso”.

A gravidade dos fatos sugere que a estrutura montada ultrapassava o entretenimento privado, configurando possíveis delitos federais:

"Há, portanto, indícios de crimes relacionados ao tráfico internacional de pessoas e exploração sexual, especialmente considerando as condições de recrutamento, transporte e hospedagem das mulheres envolvidas".

Pedidos de Indiciamento e Barreiras

O documento, que aguarda votação imediata, é contundente ao solicitar o indiciamento dos magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Além disso, o relator atribui conduta omissiva ao atual Procurador-Geral da República, Paulo Gonet.

Alessandro Vieira desabafou sobre a hostilidade enfrentada durante o processo investigativo, mencionando que o colegiado sofreu uma “flagrante limitação de recursos”, intensificada pelas “enormes barreiras políticas e institucionais levantadas na medida em que as informações sobre fatos relacionados a figuras imponentes da República” ganharam contornos mais nítidos.