Notícias Entenda o caso
Poze do Rodo e MC Ryan SP são presos pela PF sobre esquema de R$1,6 bi de lavagem de dinheiro
Batizada de Operação Narco Fluxo, a força-tarefa visa desmantelar uma organização criminosa especializada em ocultar capitais e ativos digitais tanto em território nacional quanto em jurisdições estrangeiras
15/04/2026 12h46
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
MC Ryan SP e MC Poze do Rodo - Reprodução: Redes Sociais

A Polícia Federal (PF) deflagrou, no início desta quarta-feira (15), uma ofensiva de grandes proporções que resultou na prisão dos artistas MC Ryan SP e Poze do Rodo. A investigação recai sobre um esquema financeiro suspeito de movimentar ilicitamente mais de R$ 1,6 bilhão em lavagens de dinheiro. Ryan foi localizado em uma festa na Riviera de São Lourenço, bairro de luxo em Bertioga (SP), enquanto Poze recebeu voz de prisão no bairro do Recreio, no Rio de Janeiro. Os dados foram confirmados pela TV Globo.

Batizada de Operação Narco Fluxo, a força-tarefa visa desmantelar uma organização criminosa especializada em ocultar capitais e ativos digitais tanto em território nacional quanto em jurisdições estrangeiras.

De acordo com os relatórios da PF, o grupo utilizava o "aluguel" de registros de pessoas físicas (CPFs) e "laranjas" para camuflar a procedência dos montantes. No caso específico de Ryan, a influência digital, consolidada em seus 15 milhões de fãs, serviria como fachada para legitimar fortunas e contornar sistemas de monitoramento bancário.

As autoridades indicam que o setor de entretenimento e o mercado musical eram usados para dar aparência lícita aos valores. A rede criminosa também se valia de:

Números e Abrangência da Ofensiva

A 5ª Vara Federal de Santos (SP) emitiu 39 ordens de prisão temporária e 45 de busca e apreensão. As diligências se estendem por um mapa geográfico vasto, englobando diversas cidades paulistas (como a capital, Santos e Campinas), além de endereços no Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Goiás, Distrito Federal, entre outros estados.

Durante as incursões, as equipes policiais confiscaram automóveis de alto luxo, acessórios de grife, montantes em espécie e dispositivos tecnológicos. Paralelamente, o Judiciário decretou o bloqueio de propriedades e aplicou limitações societárias para congelar a atividade do grupo.

O Outro Lado

Em nota enviada à TV Globo, a defesa dos músicos declarou que ainda não possui acesso integral aos detalhes das investigações ou ao conteúdo das ordens judiciais. Os advogados pontuaram que:

“[...] desconhecem o teor dos autos e também do mandado de prisão, mas que vão se manifestar assim que tiverem as informações. Ainda segundo o parecer, será pedida a liberdade do cantor e os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário”.