Notícias Entenda o caso
R$1,6 bi: PF detalha esquema de lavagem de dinheiro envolvendo MC Poze do Rodo e MC Ryan SP
De acordo com os investigadores, os artistas atuavam como “vitrines” para plataformas de apostas e sorteios ilegais, peças-chave na engrenagem financeira do grupo
16/04/2026 09h55
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
MC's Poze do Rodo e Ryan SP - Reprodução: Redes Sociais

A Polícia Federal (PF) deflagrou uma ofensiva contra uma sofisticada estrutura de lavagem de dinheiro alimentada pelo tráfico de drogas, que utilizava o prestígio de músicos e figuras digitais para mascarar capitais. Na última quarta-feira (15), a Operação Narco Fluxo resultou na prisão dos funkeiros MC Ryan SP e Poze do Rodo, além de Raphael Sousa Oliveira, o dono do perfil Choquei.

De acordo com os investigadores, os artistas atuavam como "vitrines" para plataformas de apostas e sorteios ilegais, peças-chave na engrenagem financeira do grupo.

“Dentro da engrenagem criminosa, se utilizam de pessoas com grande visibilidade para fazer a propaganda dessas empresas ilegais e para movimentar o dinheiro de forma a não chamar a atenção”, explicou, Marcelo Alberto Maceiras, Delegado Regional de Polícia Judiciária da PF em São Paulo.

A estratégia consistia em usar a popularidade dessas personalidades para ocultar transações vultuosas, burlando os mecanismos de segurança do sistema bancário.

“Essas pessoas com muitos seguidores conseguem movimentar grandes quantias sem chamar a atenção dos sistemas de compliance das autoridades e dos bancos, então são muito úteis e facilmente recrutáveis por essas organizações dessa estrutura de lavagem”, diz Maceiras.

A trilha do dinheiro e o rastro de luxo

A investigação avançou ao monitorar o fluxo financeiro que se materializava em ostentação. O patrimônio dos envolvidos era exibido por meio de “grandes festas, veículos e imóveis luxuosos”.

Para facilitar a lavagem, a quadrilha utilizava processadoras de pagamento, operando contas de "passagem" e laranjas para pulverizar os recursos e apagar os rastros. O delegado detalhou a conexão com o crime organizado:

“Fatalmente chegamos nas facções criminosas, sem entrar no mérito de ser PCC ou não, mas a investigação demonstra que parte do dinheiro captado e depois despejado nessa estrutura é oriunda do tráfico”.

O balanço da operação impressiona: a Justiça determinou o congelamento de R$ 1,6 bilhão. Dos 37 pedidos de prisão, 33 foram efetuados, além de 45 buscas. No pátio da PF, o valor em automóveis de luxo, como Ferrari, Porsche e BMW, soma R$ 20 milhões. Também foram recolhidos armamentos, joias de grife e quantias em espécie.

Detalhes das prisões e defesas