O cenário político paulista ficou movimentado nesse último domingo (19) quando Fernando Haddad (PT), candidato ao Palácio dos Bandeirantes e ex-chefe da Fazenda, declarou que a intenção de taxar o Pix partiu originalmente de Jair Bolsonaro (PL).
Além disso, o petista buscou capitalizar politicamente a intervenção do Banco Central no Banco Master, ocorrida em novembro de 2025, creditando o desfecho da liquidação extrajudicial à gestão de Luiz Inácio Lula da Silva.
A síntese do seu posicionamento foi direta:
“A taxação do PIX é ideia do Bolsonaro. A liquidação do Master é mérito do Lula".
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A acusação de Haddad resgata debates do antigo Ministério da Economia. Durante o governo de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes ventilou a criação de um tributo sobre movimentações digitais. A proposta visava equilibrar as contas para permitir a desoneração da folha salarial corporativa, sem elevar o peso dos impostos sobre o consumo.
Entretanto, a forte resistência popular barrou o projeto. Em defesa de sua gestão, Bolsonaro recordou o episódio em entrevista ao podcast Inteligência Limitada:
“Querer é uma coisa. Lá atrás, a equipe do Paulo Guedes queria taxar a cerveja, mas eu não deixei. Teve gente da equipe dele que falou que era uma taxa pequenininha”.
Apesar das críticas ao governo anterior, o atual mandato de Lula também enfrentou turbulências digitais. Em 2025, o Fisco tentou implementar um rastreamento rigoroso de operações via Pix, focando em movimentações anuais que somassem R$ 5 mil (indivíduos) e R$ 15 mil (empresas).
A pressão foi imediata, partindo de diversos espectros políticos. O governo acabou revogando a instrução normativa da Receita Federal após a percepção de que a medida soava invasiva, especialmente diante de uma parcela da sociedade que mantém um pé atrás com o atual governo no que tange à gestão financeira e privacidade.
A fala de Haddad reflete a estratégia de campanha para o governo de São Paulo, utilizando temas econômicos sensíveis, como a falência do Master e o custo das transações bancárias, para traçar um contraste ético e técnico entre as duas gestões federais.