Conforme informações da United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO), um cargueiro alugado por uma companhia grega foi interceptado a 15 milhas náuticas (aproximadamente 28 km) da costa nordeste de Omã. O comandante relatou que a unidade naval sofreu uma ofensiva de uma embarcação rápida pertencente à Guarda Revolucionária do Irã, sem qualquer aviso prévio por rádio.
“Em seguida, a embarcação foi alvo de disparos, que provocaram danos significativos à ponte de comando", afirmou a agência. "Não houve incêndio nem impacto ambiental. A tripulação está em segurança", acrescenta o comunicado.
De acordo com a empresa de inteligência, Vanguard Tech, o navio, que ostenta pavilhão da Libéria, "havia sido informado de que tinha permissão para atravessar o Estreito de Ormuz". O ataque foi executado por três indivíduos a bordo da lancha. O capitão reforçou a ausência de diálogos prévios e garantiu que o trânsito pelo canal havia sido devidamente autorizado com antecedência.
A entidade britânica também registrou que um segundo porta-contêineres, sob bandeira do Panamá, foi atacado a cerca de 14 km do litoral iraniano, mas os tripulantes estão ilesos e o casco não sofreu danos. Um terceiro navio, igualmente liberiano, foi alvejado e permanece retido a oito milhas da costa do Irã, país que controla o fluxo em Ormuz, via por onde transita 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) do planeta.
Atendendo a um apelo de mediadores do Paquistão, o líder estadunidense Donald Trump comunicou na noite de terça-feira (21) a manutenção, por tempo indeterminado, da suspensão das hostilidades com Teerã, assegurando a continuidade das conversas. Segundo o republicano, Washington não iniciará operações ofensivas até que o governo iraniano apresente uma contraproposta.
"O Irã está em colapso financeiro por causa do fechamento do Estreito de Ormuz", escreveu Trump no Truth Social poucas horas após decidir prolongar a trégua.
A extensão do cessar-fogo ainda não foi ratificada pelos governos de Israel ou do Irã. Um porta-voz de Mohammad Bagher Ghalibaf, principal negociador de Teerã, desdenhou da declaração de Trump, afirmando que ela "não vale nada". Ele acusou os EUA de usarem uma manobra para ganhar fôlego bélico e defendeu uma retaliação armada ao cerco naval.
Apesar da pressão, o Ministério da Agricultura iraniano assegurou que o bloqueio aos portos, vigente desde o dia 13 de abril, não comprometeu o abastecimento interno.
"Apesar do bloqueio naval dos Estados Unidos, não temos nenhum problema para abastecer a população com bens essenciais e alimentos, pois, em razão do tamanho do país, é possível importar por diferentes fronteiras", declarou na terça-feira o ministro da Agricultura, Gholamreza Nouri. "Cerca de 85% dos produtos agrícolas e dos bens de primeira necessidade são produzidos localmente, portanto a segurança alimentar do país está garantida", acrescentou.
Nesta quarta (22) e quinta-feira (23), Londres será o palco de uma cúpula militar envolvendo cerca de 30 nações para arquitetar uma patrulha liderada por britânicos e franceses no Estreito de Ormuz. O Ministério da Defesa do Reino Unido indicou que o encontro detalhará o plano de reabertura da rota, capitalizando sobre os avanços diplomáticos obtidos em Paris.
"O objetivo é transformar o consenso diplomático em um plano comum para garantir a liberdade de navegação no estreito e apoiar um cessar-fogo duradouro", afirmou o ministro da Defesa do Reino Unido, John Healey, em comunicado.
As tratativas dão sequência ao encontro da última sexta-feira (17), liderado por Keir Starmer e Emmanuel Macron, onde foi decidido que a força-tarefa terá caráter estritamente protetivo e só atuará após a consolidação de uma paz estável na região. Importante notar que Estados Unidos e Irã ficaram de fora dessas rodadas de negociação.