O parlamentar Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que concorre ao cargo de Chefe do Executivo, reiterou nessa última quarta-feira (22) sua intenção de interromper a criação de novos territórios indígenas em solo mato-grossense caso saia vitorioso nas urnas.
“Se depender do nosso governo, nenhuma dessas reservas será demarcada porque a vocação do Mato Grosso é a produção”, declarou o senador aos jornalistas na cerimônia inaugural da Norte Show, exposição agroindustrial sediada em Sinop.
Essa diretriz ecoa o posicionamento de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, cuja gestão foi notabilizada pela resistência ao aumento das áreas protegidas e pelo suporte à tese jurídica do Marco Temporal.
Durante a coletiva, o pré-candidato manifestou descontentamento com o que denomina “tentativa ideológica do atual governo” de criar obstáculos ao desenvolvimento rural no país. Flávio ressaltou que “há pedidos da Funai por demarcações de reservas indígenas que podem totalizar 2,2 milhões de hectares, atingindo 22 municípios do Mato Grosso”.
Apesar da negativa sobre novas extensões, ele defendeu que é preciso “respeitar a autonomia dos povos indígenas”, garantindo-lhes o direito de escolher “como explorar as terras e o que tem que ser feito” nos locais já oficializados.
A resistência à expansão de demarcações indígenas serve como um aceno direto ao setor agropecuário, nicho eleitoral imprescindível em estados como Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso.
Em uma agenda anterior, realizada no dia 10 de abril em Campo Grande (MS), o senador já havia se manifestado favoravelmente ao Marco Temporal, sugerindo também que as etnias deveriam ter liberdade para atividades como a pecuária e a extração mineral em suas propriedades.
“Essa insegurança jurídica vai acabar. Vai acabar na esfera constitucional, na esfera legal. Depois de 93 para cá, o correto seria: demarcou, tá demarcado, e não demarcou, acabou”, pontuou durante o encontro na capital sul-mato-grossense.