Notícias Política
Lula afirma ter convocado agentes da PF que “fingem trabalhar” para combater crime organizado
Lula defende que a instituição seja composta integralmente por seus servidores de carreira para otimizar as capturas. Excetuando-se aqueles que ocupam secretarias estaduais, a ordem é o retorno imediato à base
24/04/2026 13h32
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Presidente Lula - Reprodução: Ricardo Stuckert / PR

Nessa última quinta-feira (23), o mandatário Luiz Inácio Lula da Silva revelou ter orientado o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, a mobilizar profissionais da Polícia Federal (PF) que estão lotados em outras áreas. O objetivo é reintegrar agentes e delegados que, segundo o presidente, estão "fingindo trabalhar" para fortalecer o enfrentamento às facções criminosas.

Lula defende que a instituição seja composta integralmente por seus servidores de carreira para otimizar as capturas. Excetuando-se aqueles que ocupam secretarias estaduais, a ordem é o retorno imediato à base.

"Ontem [quarta-feira], eu mandei o ministro da Justiça fazer uma nota convidando todos os delegados da Polícia Federal que estão fora da Polícia Federal. Só vai ficar fora aqueles que forem secretários de Estado", pontuou.

Ele foi enfático sobre a necessidade de foco total: "Mas, aqueles agentes ou delegados que estão aí, em outro lugar, fingindo que estão trabalhando e não estão trabalhando, todos vão ter que voltar, porque nós vamos derrotar o crime organizado". Além disso, o governo confirmou a chegada de mil novos concursados (incluindo peritos e escrivães) até o término deste ano.

Diplomacia das Frutas e Tensões com Trump

Em seu retorno de agendas na Europa, durante evento da Embrapa no Distrito Federal, Lula usou de humor ao comentar a relação com o líder estadunidense, Donald Trump. Em meio a um clima diplomático ruidoso, acentuado por impasses envolvendo a cooperação de delegados da PF com os EUA, o presidente sugeriu levar iguarias brasileiras como gesto de paz.

"Agora, quando eu viajar, eu vou tentar levar um pé de jabuticaba para o Xi Jinping, vou tentar levar um para o Trump para acalmar ele. Dizer para ele que jabuticaba é calmante. Levar maracujá. Por que sabe o que acontece? O Brasil tem um potencial extraordinário, mas, muitas vezes, nós não sabemos aproveitar", comentou.

Lula também criticou a falta de valorização do mercado interno, destacando que "Nós, brasileiros, ficamos muito preocupados em exportar os nossos produtos, mas muitas vezes a gente esquece que a gente tem um mercado extraordinário no país", emendando que, por vezes, "a gente esconde aquilo que a gente tem".

Dívida Histórica e Geopolítica

Ao contrastar sua visão com a de Trump, Lula afirmou que enquanto o americano foca em conflitos, o Brasil prioriza a segurança alimentar e a cooperação com a África. Ele ressaltou que a reparação pelos três séculos e meio de escravidão deve vir através da educação e tecnologia.

“Eu acho que o Brasil tem uma dívida com o continente africano, são 350 anos de escravidão, a gente não pode pagar em dinheiro [...] a gente não pagaria a grandeza do povo africano no nosso país", refletiu.

Para ele, a solução é a troca acadêmica: "E como a gente pode pagar isso? A gente pode pagar isso, transferindo conhecimento".

Inovação no Campo

Na feira "Brasil na Mesa", o presidente explorou avanços tecnológicos da Embrapa voltados ao pequeno produtor. Lula reafirmou que a agricultura familiar é a engrenagem mestre para erradicar a fome, visitando plantações de espécies variadas e defendendo que a ciência deve ser acessível para garantir autonomia e lucro a quem produz no campo.