O representante do PT e ex-ministro da Economia, Fernando Haddad, iniciou uma ofensiva contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), focando em supostas infiltrações do Primeiro Comando da Capital (PCC) na estrutura policial paulista.
Conforme apuração do Metrópoles, o tema deve se tornar um dos pilares da narrativa petista para confrontar o governo estadual. A manobra visa inverter o jogo em uma área onde a esquerda costuma ser acuada pelo discurso bolsonarista: o combate à criminalidade.
O ponto de partida da crítica foi o pedido de exoneração de José Augusto Coutinho, ex-líder da Polícia Militar. Ele se afastou após investigações da Corregedoria apontarem que policiais estariam atuando na proteção de membros da facção ligados à operadora de ônibus Transwolff.
Sobre a tentativa do governo de minimizar o impacto do caso, Haddad disparou em suas plataformas digitais:
“Falhar na escolha pode até acontecer. É por isso que você tem que vigiar de perto. Agora, tentar esconder da população o real motivo do afastamento do comandante, isso não é aceitável”.
A substituição de Coutinho pela coronel Glauce Anselmo Cavalli chegou a ser vista como um avanço por ser a primeira mulher no posto, mas o escândalo de bastidores rapidamente transformou a "agenda positiva" em munição para a oposição.
Investigações indicam que o coronel sabia de esquemas de escolta clandestina para diretores da Transwolff, empresa suspeita de lavagem de dinheiro para o crime organizado. Além disso, em 2021, quando chefiava a Rota, Coutinho teria ignorado alertas do promotor Lincoln Gakyia sobre o vazamento de dados sigilosos por agentes de inteligência para beneficiar o PCC. Um áudio interceptado sugeria o pagamento de R$ 5 milhões a policiais para livrar um líder da facção durante a Operação Sharks.
Haddad conectou esses episódios à postura de Tarcísio em casos de excesso policial, citando a frase polêmica do governador:
“O resultado do não tô nem aí é esse”.
A equipe de Haddad planeja ainda explorar crimes de grande repercussão, como a execução do delator Vinícius Gritzbach em Guarulhos, e a crescente onda de furtos de celulares pelas chamadas "gangues da bicicleta".
Por outro lado, Tarcísio utiliza o aparato estatal para demonstrar força. Em recente operação com 200 militares contra criminosos que atacam motoristas, o governador celebrou as 18 prisões efetuadas:
“Chega de ter medo de andar nas nossas ruas. A Polícia Militar foi pra cima das chamadas gangues do ‘quebra-vidros’, e o resultado veio: 18 criminosos presos, em uma operação com mais de 200 policiais, drones e atuação em mais de 100 pontos da cidade. Quem acha que pode aterrorizar trabalhador no trânsito de São Paulo vai encontrar resposta”.
Tarcísio mantém o contra-ataque focado no histórico nacional do PT, alegando que o partido falhou sistematicamente na gestão da segurança pública em suas passagens pelo governo federal.
Confira: