Notícias Nota de repúdio
Sindicato se manifesta após tragédia envolvendo show da Shakira no Rio: “Discriminação com o trabalhador”
Presidente do sindicato dos artistas denuncia condições precárias nos bastidores de grandes eventos e cobra responsabilização após tragédia em Copacabana
27/04/2026 13h43 Atualizada há 4 meses
Por: Mateus Pereira Fonte: Metrópoles
Foto: redes sociais

Hugo Gross se manifestou após a morte de um técnico de segurança do trabalho durante a montagem do palco para o show de Shakira, na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Em texto enviado ao Metrópoles, o presidente do Sated-RJ criticou duramente as condições enfrentadas por trabalhadores envolvidos em grandes produções.

Segundo Gross, o sindicato irá ingressar com uma “ação de obrigação de fazer” contra a empresa responsável pelo evento. Para ele, existe um contraste entre o glamour apresentado ao público e a realidade vivida por quem atua nos bastidores.

Trabalhador morreu na montagem do Show da Shakira no rio de janeiro.

O show da Shakira vai custar R$15 Milhões dos cofres públicos pic.twitter.com/otknSbHOpf

— Alex Moretti (@Alexmorettibr) April 26, 2026

Há que se denunciar o preço que o município do Rio de Janeiro está disposto a pagar para se destacar no cenário do show business internacional. Se por um lado há toda uma estrutura profissional para receber um artista internacional, por outro há uma grande discriminação com o trabalhador da cultura.

O dirigente ainda relatou que técnicos e terceirizados costumam ser submetidos a jornadas exaustivas e ambientes degradantes. Segundo ele, nos bastidores existe um “exército de profissionais” exposto a sobrecarga, assédios e riscos ignorados.

Hugo Gross também criticou a falta de fiscalização por parte das autoridades competentes. De acordo com ele, denúncias são feitas a cada grande evento, mas frequentemente não recebem resposta adequada sob alegação de falta de fiscais.

Além da fala pública, o sindicato divulgou nota de repúdio e solidariedade à família do profissional morto. No comunicado, a entidade destacou:

Nenhum espetáculo, produção ou show pode estar acima da vida de um trabalhador.

Por fim, veja abaixo a nota na íntegra, divulgada pelo Metrópoles:

“O Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado do Rio de Janeiro(SATED-RJ) manifesta profundo pesar pela morte do trabalhador técnico Gabriel de Jesus Firmino de apenas 28 anos, ocorrida durante a montagem do show da cantora Shakira, e se solidariza com seus familiares, amigos e colegas de profissão neste momento de dor.

A tragédia expõe novamente os riscos da terceirização indiscriminada, da pejotização e da fragilidade nas relações de trabalho que ainda persistem em muitas produções culturais. Algumas produtoras de shows internacionais, como esta Bônus Track, que recebem inclusive verbas públicas para projetos, se recusam a regularizar a situação e tentam descumprir a lei 6533/78, incluindo as taxas e regras de proteção ao artista e técnico nacional, tudo para não pagar e omitir fiscalizações trabalhistas e sindicais. Quando a redução de custos se sobrepõe ao cumprimento da legislação, a segurança dos trabalhadores fica em segundo plano.

O SATED-RJ reforça que é indispensável o respeito ao registro profissional, a fiscalização efetiva das condições de trabalho, o cumprimento das normas de saúde e segurança e a exigência de que os contratos estejam em conformidade com a legislação trabalhista e com a devida ciência da entidade sindical.

O sindicato acompanhará a apuração do caso e cobrará a responsabilização dos envolvidos, para que episódios como este sirvam de alerta e levem as produções a regularizar suas relações de trabalho, garantindo dignidade e proteção aos profissionais dos bastidores.

Nenhum espetáculo, produção ou show pode estar acima da vida de um trabalhador”