O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressou descontentamento com a contraproposta enviada por Teerã para pacificar a crise bilateral. De acordo com apurações da Reuters e do The New York Times, o projeto iraniano ignora o dossiê atômico do país, elemento que a Casa Branca aponta como pilar indispensável para qualquer tratativa.
O dossiê chegou às mãos de Washington via diplomacia paquistanesa. No texto, o Irã oferece a liberação da passagem pelo Estreito de Ormuz, exigindo, como compensação, a suspensão do cerco marítimo dos EUA e a cessação definitiva dos ataques.
No entanto, o governo iraniano busca postergar o debate sobre suas atividades nucleares, batendo de frente com a prioridade absoluta da gestão Trump.
A presidência confirmou que Trump esteve reunido com sua equipe de inteligência e segurança para dissecar os termos. Karoline Leavitt, porta-voz do governo, declarou que o plano continua sob debate técnico.
Contudo, o ceticismo do republicano é notório. Trump mantém a postura de que o Irã deve se obrigar a abandonar a corrida por armamentos nucleares e restringir severamente o processamento de urânio.
Em declarações à Fox News, Trump ressaltou que Washington está apertando o torniquete financeiro contra o regime iraniano, focando no bloqueio das vendas externas de óleo bruto.
Há quase duas semanas, o Pentágono deslocou frotas militares para interceptar cargueiros associados ao Irã no acesso a Ormuz, uma reação direta à intransigência de Teerã em normalizar a navegação na área.
O último fim de semana expôs a fragilidade do diálogo. Após a passagem do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, por Islamabad, veículos de comunicação iranianos descartaram reuniões presenciais com os americanos.
Como resposta, Trump abortou a viagem de uma delegação dos EUA que partiria para o Paquistão, alegando que a logística era desnecessária dadas as circunstâncias.
“Não vejo sentido em enviá-los em um voo de 18 horas na situação atual. Podemos resolver isso por telefone. Os iranianos podem nos ligar se quiserem”, sentenciou o presidente no último sábado (25).