Nos últimos dias, a internet brasileira foi tomada por mais um embate entre personalidades fortes: de um lado, Luana Piovani, conhecida por sua postura firme e opiniões contundentes; do outro, Virginia Fonseca, uma das maiores influenciadoras do país, com uma rotina amplamente compartilhada nas redes sociais.
O que poderia ser mais uma troca de opiniões sobre comportamento, exposição e estilo de vida, ganhou um contorno mais delicado — e, na minha visão, preocupante — quando os filhos passaram a ser citados no meio dessa discussão.
Como mãe, esse é o ponto em que a conversa muda.
A crítica faz parte de qualquer sociedade. Questionar escolhas, posicionamentos e até o impacto da exposição nas redes é legítimo e necessário. Inclusive, o debate sobre a exposição de crianças na internet é válido e precisa existir. Quando filhos entram no centro de uma crítica pública, deixamos de falar sobre ideias e passamos a tocar em algo que é sagrado para qualquer mãe: a proteção.
Até onde vai o direito de opinar?
Em tempos de redes sociais, onde tudo vira pauta e todos têm voz, é fácil esquecer que existem limites invisíveis — e alguns deles deveriam ser inegociáveis.
Filhos não são argumento.
Filhos não são extensão de críticas.
Filhos não são palco.
Eles são responsabilidade, amor e, acima de tudo, prioridade absoluta.
Como mãe, eu entendo que cada família faz suas escolhas. E sim, essas escolhas podem — e devem — ser debatidas quando têm impacto coletivo. Mas isso nunca pode justificar ultrapassar o espaço da proteção infantil.
No fim, talvez essa não seja apenas uma treta entre duas mulheres públicas.
Talvez seja um lembrete urgente sobre empatia, responsabilidade e, principalmente, sobre o cuidado com aquilo que deveria estar acima de qualquer discussão: as crianças.